Com ‘VIADO DESALMADO‘, goiano lança primeiro trabalho de estúdio que desafia rótulos e atravessa nove ritmos em uma narrativa visceral sobre amor e desilusão.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Rodrigo Bittes lança seu primeiro álbum de estúdio, ‘VIADO DESALMADO’, de forma independente com distribuição AlgoHits.
- O disco atravessa sertanejo, piseiro, forró, brega, pagode, axé e elementos eletrônicos em uma narrativa sobre amor e desilusão.
- A trajetória do artista, do EP ‘Plantio’ à fase Rodrigo-Techno-Bittes, preparou o terreno para essa estreia ousada.
- Produção de Ivan Gomes e participações de Paola Gibram e Ariel Coelho enriquecem a sonoridade do projeto.
Há uma coragem pouco comum em quem decide estrear um álbum de estúdio não apenas apostando no que já funcionou, mas desmontando-o por completo. Rodrigo Bittes faz exatamente isso com ‘VIADO DESALMADO’, primeiro longa de sua carreira, que chega como uma declaração de independência artística e sonora — e, de quebra, sacode a cena sertaneja com a ousadia de misturar ritmos que poucos ousam unir em um único projeto coeso.
Natural de Goiás, Rodrigo Bittes construiu sua trajetória aos poucos. O EP ‘Plantio’, lançado em 2022, já sinalizava que ele não queria ficar preso a uma só caixa sonora. Depois veio a fase Rodrigo-Techno-Bittes, em que incorporou remixes e camadas eletrônicas ao seu trabalho — uma movimentação que, na época, soava como experimentação. Hoje, com ‘VIADO DESALMADO’, essa mesma inquietação se transforma em proposta central: um álbum que nasceu como sertanejo puro, mas que, a partir da parceria com o produtor Ivan Gomes, expandiu-se para além de qualquer rótulo confortável.
O álbum funciona como uma narrativa emocional. Cada faixa representa um momento diferente de uma relação — paixão, desejo, desilusão, arrependimento, reencontro e a busca por pertencimento. São nove faixas autorais que transitam por piseiro, forró, brega, pagode, bossa nova, salsa, axé e até elementos eletrônicos, sem jamais parecer um festival de gêneros soltos. A base sertaneja permanece, mas como um ponto de partida, não de chegada.
O que mais impressiona em ‘VIADO DESALMADO’ é a coerência da mistura. Não se trata de incluir um ritmo diferente a cada faixa por moda, mas de deixar que a própria história exija a linguagem musical adequada. Quando a narrativa pede nostalgia, o sertanejo aparece; quando o desejo toma conta, o piseiro e o axé entram em cena; quando a desilusão bate, o brega e a salsa dão o tom melancólico. Ivan Gomes assina a maior parte da produção com maestria, enquanto JP Mansur traz uma roupagem distinta para ‘ME DESCULPE, MAGOEI’. A presença de Paola Gibram na sanfona e de Ariel Coelho na percussão dá à gravação uma textura orgânica que nenhum plugin reproduz.
Outro ponto que eleva o disco é a conexão com as raízes goianas. Cerrado, cavalos e a saudade da terra natal permeiam tanto as letras quanto a parte visual do projeto. Em ‘SERTANEJO DA MINHA VIDA’, por exemplo, a nostalgia da terra amplia a história do disco para além do relacionamento amoroso, abrindo espaço para uma reflexão sobre identidade e origem. O clipe da faixa-título, dirigido por Renato Stockler e Pina, é um convite visual ao universo rural brasileiro — figurinos brilhantes ao lado de cavalos e paisagens do campo, numa estética que mistura ostentação e autenticidade de forma rara e cativante.
Com ‘VIADO DESALMADO’, Rodrigo Bittes não apenas estreia como artista de álbum, mas se posiciona como um dos nomes mais interessantes da nova geração da música brasileira. O fato de ter lançado o projeto de forma independente, com distribuição da AlgoHits, mostra uma postura que vai contra a lógica tradicional do mercado — e que, cada vez mais, define os artistas que deixam marca. Se a carreira até aqui foi um preparo, o que vem depois deste lançamento promete ser uma trajetória de consolidação, com expectativa legítima de ver Bittes expandir ainda mais essa ponte entre o sertanejo raiz e as sonoridades que a cena eletrônica e o pop brasileiro podem absorver com naturalidade.
💡 Você sabia que Rodrigo Bittes passou por uma fase chamada ‘Rodrigo-Techno-Bittes’, na qual passou a incorporar remixes e sonoridades eletrônicas ao seu repertório sertanejo — uma movimentação rara no cenário sertanejo atual que antecipou a hibridação sonora presente em ‘VIADO DESALMADO’.
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— Douglas W.


