O lendário músico e compositor Sting provoca reflexão ao conectar a perda de empregos manuais com a crise de identidade masculina, revisitando suas origens operárias em seu aclamado musical ‘The Last Ship‘.
⏱️ Em 5 segundos:
- Sting associa a masculinidade tóxica à desindustrialização e à diminuição do trabalho manual.
- Seu musical ‘The Last Ship’ retrata a vida em estaleiros e a crise de identidade pós-fechamento.
- O artista critica políticas que levaram ao declínio da indústria britânica.
- Sting valoriza o orgulho cívico e o senso de comunidade das cidades operárias.
Em um anúncio que reacendeu discussões sobre as profundas transformações sociais e econômicas, o icônico músico Sting revelou que seu aclamado musical ‘The Last Ship’ retornará ao West End de Londres neste outono. A obra, que narra a infância do artista em meio a uma família de construtores navais ingleses, serve como pano de fundo para uma reflexão contundente sobre as raízes da chamada ‘masculinidade tóxica’, um tema que Sting abordou em recente entrevista ao jornal The Guardian.
Para o ex-líder do The Police, a desindustrialização moderna e a consequente perda de empregos que exigiam força física e trabalho manual podem ter um papel crucial na formação dessa toxicidade. “Eu trabalho com as mãos todos os dias como músico e tenho sorte. É raro um homem moderno usar as mãos e a força para fazer qualquer coisa. Perdemos algo nesse sentido”, ponderou Sting, que, apesar de não ter respostas definitivas, sugere que a falta de um direcionamento para a energia e força masculina pode ser um gatilho para a toxicidade observada na sociedade atual.
‘The Last Ship’, que estreou em Chicago em 2014 antes de ganhar palcos na Broadway e em diversas turnês globais, é um tributo aos homens que trabalhavam nos estaleiros de Wallsend, na região onde Sting cresceu. A peça dramatiza o impacto devastador do fechamento desses estaleiros nas décadas de 1970 e 1980, evento que Sting atribui diretamente ao que ele considera o fracasso de sucessivos governos ingleses. Ele criticou abertamente a visão de Margaret Thatcher de uma economia de serviços, argumentando que a riqueza da Grã-Bretanha foi construída sobre as minas de carvão, as indústrias siderúrgicas e os estaleiros, cujas habilidades foram “descartadas”.
A trilha sonora do musical é majoritariamente original, composta por Sting, mas também inclui sucessos de sua carreira solo, como “Island of Souls”, “All This Time”, “When We Dance” e “Ghost Story”. A narrativa explora profundamente o sentimento dos personagens masculinos de que a perda de seu trabalho fisicamente exigente equivale a um apagamento de suas identidades, com a pergunta comovente: “Afinal, o que somos nós, homens, sem um navio para terminar?”.
Apesar de seu olhar nostálgico e carinhoso para a comunidade e o orgulho cívico que cercava a construção naval, Sting é franco sobre sua própria aversão ao trabalho braçal nos estaleiros. “Eu sou o cara que não queria trabalhar lá, e com razão”, disse ele, mencionando os perigos e a toxicidade do ambiente de trabalho. Contudo, essa distância não diminui sua admiração pelo senso de comunidade e pelo imenso orgulho que os trabalhadores sentiam ao verem os navios que construíram navegando. Atualmente, Sting está em turnê com sua banda solo Sting 3.0, com uma série de shows marcados para o Metropolitan Opera House em Nova York, a partir de 9 de junho.
💡 Você sabia que Sting, cujo nome de batismo é Gordon Sumner, ganhou seu famoso apelido por sempre usar uma blusa listrada preta e amarela durante suas performances iniciais, o que o fazia parecer uma abelha (sting, em inglês, significa ferrão)?



