A dupla russa transforma amostras do baile funk em phonk global, quebrando barreiras linguísticas e culturais no TikTok.
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⏱️ Em 5 segundos:
- 0to8 transforma funk brasileiro em Phonk global a partir de Dubai
- Música passa por processamento: perde BPMs, ganha distorção, viraliza no TikTok
- Mais de 4 bilhões de streams e 130 milhões de vídeos usando o catálogo
Em meio ao brilho dos arranha-céus de Dubai, uma revolução sonora silenciosa transforma o funk brasileiro em Phonk global. A história da 0to8 não é apenas sobre gênero musical, mas sobre como o algoritmo pode tomar raízes profundas e espalhá-las pelo mundo inteiro, conectando continentes através de batidas e amostras vocais.
A dupla por trás desse movimento, Artem Shargin e Kirill Smetkov, carrega bagagem que mistura empresariado russo com visão de mercado global. Antes da 0to8, Smetkov já comandava a gravadora steezy, enquanto Shargin havia construído negócios digitais em São Petersburgo antes de vender uma empresa de moda e se estabelecer nos Emirados Árabes Unidos. Em 2022, iniciaram carreira produzindo remixes para o TikTok, sem imaginar que o próximo passo seria investigar, quase por curiosidade, o que movia o sul-americano.
O ponto de virada veio no início de 2023, quando Shargin leu uma reportagem sobre o mercado sul-americano e decidiu desvendar o mistério por trás da música que vinha do Brasil. ‘Nem sabíamos que o termo baile funk existia’, confessou em entrevista à Billboard Brasil. O primeiro teste, ‘Bate Forte e Dança’ em parceria com DJ Ritmo55, provou que havia potencial ilimitado: a faixa ganhou vídeos nas primeiras semanas, depois somou centenas de milhares, especialmente entre páginas de futebol.
O que a 0to8 fez foi inteligente: entender que o funk não precisava ser reproduzido fielmente, mas sim recontextualizado. Ao remover BPMs, adicionar distorção e manter apenas a essência vocal, criaram o que agora chamam de Brazilian Phonk – um gênero híbrido onde a percussão do baile funk encontra a estética escura do rap de Memphis e fórmulas desenvolvidas na cultura de internet. A prova está nas colaborações com MCs brasileiros como MC MN, MC Fernandinho, MC Duduzinho e MC GW, que fornecem as vozes que viajam pelo mundo.
Talvez o aspecto mais fascinante seja a indiferença linguística. Segundo Kirill Smetkov, ‘na maioria dos casos, acho que nem o artista nem o ouvinte entend o que está sendo cantado’. Isso não é exclusividade desse projeto – milhões cantam sucessos em inglês sem compreender a letra. A essa abordagem permitiu que um produtor filipino levasse ‘MONTAGEM HIKARI’ às paradas do Billboard Japan Hot 100 em 2026.
Com mais de 4 bilhões de streams em 2025, 250 bilhões de visualizações em redes sociais e mais de 130 milhões de vídeos de usuários utilizando seu catálogo, a 0to8 provou que o baile funk tem pernas para andar – ou melhor, para samplear. O gênero virou sample, o sample virou phonk, o phonk embala memes de TikTok e, pelo algoritmo, às vezes retorna ao Brasil após rodar o mundo. O futuro parece destinado a ver cada vez mais colaborações transfronteiriças, onde a única regra seja a criatividade, e o Brasil continua sendo o motor inesgotável dessa viagem sonora.
💡 Você sabia que a 0to8 começou investigando o funk brasileiro apenas após ler uma reportagem de mercado em 2023, sem saber que o ‘baile funk’ existia?
— Douglas W.


