Black Pantera emociona famílias e militância no Palco Sunset do Rock in Rio

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Terceira passagem da banda pelo festival ficou marcada pela presença das mães na plateia, pelo novo álbum ‘Continental‘ e por um show que misturou thrash metal com mensagem política e afeto.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Black Pantera se apresentou pela terceira vez no Rock in Rio, no Palco Sunset, com suas mães na plateia durante a execução de ‘Tradução
  • O show aconteceu duas semanas após o lançamento de ‘Continental’, quinto álbum de estúdio com participações de Duquesa, Sandra Sá, Derrick Green e Chico César
  • A banda defendeu o fim da escala 6×1 e homenageou Rita Lee, Rita Lee, em meio a um repertório de alta intensidade política e emocional

Família, fé e fúria: Black Pantera transforma Palco Sunset em campo de batalha emocional no Rock in Rio

O Rock in Rio de 2026 ganhou uma das imagens mais marcantes do festival quando, sob uma chuva torrencial no Palco Sunset, as câmeras flagraram Dona Guiomar, mãe dos irmãos Charles e Chaene da Gama, acompanhando o show de capa encharcada enquanto o trio executava “Tradução” — música que nasceu justamente da história daquela mulher. O momento transcendeu a performance e se tornou a síntese perfeita do que o Black Pantera representa hoje: um metal que não se esconde atrás de metáforas, que coloca a vida real no centro do palco e que, ao fazê-lo, conquista não apenas ouvintes, mas famílias inteiras. A terceira passagem da banda pelo festival, desta vez ao lado da Nervosa, confirmou que o grupo mineiro ocupa um espaço cada vez mais legítimo e emocionalmente profundo na música brasileira.

A trajetória de Black Pantera até este momento é uma narrativa de crescimento constante e ousado. Formada em Belo Horizonte, a banda construiu sua reputação primeiramente através de covers que viralizaram na internet, demonstrando uma técnica impecável e uma energia que poucos conseguem transmitir em vídeo. Daí saltaram para discos próprios de qualidade absurda, culminando agora em “Continental”, quinto álbum de estúdio lançado em 21 de agosto pela Deck — apenas duas semanas antes da apresentação no festival. A proximidade entre o lançamento e o show no Rio não foi coincidência, mas sim a demonstração de uma banda que entende o ciclo criativo como algo vivo e pulsante, não como um produto isolado.

O álbum “Continental” é, por si só, uma declaração de princípios. Com 13 faixas que incluem participações de Duquesa em “Serotonina”, Sandra Sá em “Quando Canto”, Derrick Green — vocalista do Sepultura — em “Obsoleto” e Chico César em “Banzo”, o disco recusa-se a caber em qualquer rótulo simplista. Charles foi direto ao ponto ao explicar à Billboard Brasil: “O Black Pantera tem cinco álbuns e nunca teve medo de arriscar. A gente nunca foi uma banda presa a rótulos”. A escolha dos convidados não partiu de uma lógica de marketing, mas das próprias canções — como no caso de Sandra Sá, que ao ouvir “Quando Canto” imediatamente quis gravar, e de Duquesa, que já era mencionada na letra antes mesmo de receber o convite.

O que torna a apresentação no Palco Sunset especialmente significativa é a dimensão política e humana que o repertório assumiu. Antes de executar “Tradução”, o grupo defendeu publicamente o fim da escala 6×1, e ao longo do show passou por faixas como “Hórus”, “Padrão É o Caralho” e “Fogo nos Racistas”. A presença das mães — Dona Guiomar e Dona Elvira, mãe do baterista Rodrigo Pancho — no fosso do palco, somada às esposas, filhos e irmãos que completavam a família no evento, transformou aquele momento em algo que vai muito além do entretenimento. Chaene resumiu com emoção: “Minha mãe está aqui, meu pai, nossos filhos, as esposas, está todo mundo. Ela tinha dois sonhos: viajar de avião e voltar para a praia. A gente conseguiu proporcionar isso”.

O encontro com a Nervosa acrescentou outra camada simbólica à noite. Charles convocou uma roda punk formada por mulheres, e as duas bandas ainda honraram Rita Lee com “Obrigado, Não” — uma escolha que dialoga tanto com a herança do rock brasileiro quanto com a necessidade de visibilidade feminina em um gênero historicamente dominado por homens. A parceria entre Black Pantera e Nervosa não é apenas musical; é um posicionamento político e cultural que reflete a evolução da cena nacional, onde a interseccionalidade deixou de ser banda para se tornar prática artística concreta.

Olhando para o futuro, o que fica claro é que o Black Pantera não está mais pedindo licença para ocupar espaço. Com “Continental” recém-lançado, uma turnê que promete ser intensa e uma presença cada vez mais consolidada nos grandes palcos, a banda caminha para se tornar uma das maiores referências do metal contemporâneo latino-americano. A combinação de virtuosismo técnico, compromisso político e sensibilidade emocional — demonstrada de forma inesquecível naquela imagem das mães na chuva, cantando “Tradução” — posiciona o grupo não como uma banda de nicho, mas como um fenômeno cultural que merece ser acompanhado com atenção. O próximo capítulo dessa história promete ser tão grandioso quanto o som que ecoou no Palco Sunset deste sábado.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o nome ‘Black Pantera’ é uma referência direta ao Partido Pantera Negra, movimento revolucionário dos anos 1960 nos Estados Unidos — e que a banda mineira consolidou sua trajetória inicialmente através de covers virais no YouTube antes de conquistar espaço com composições próprias de peso?


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— Douglas W.