Major RD surpreende e confirma turnê ‘Alfa’ com banda de rock após Rock in Rio

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Rapper carioca que fechou o Espaço Favela com formação elétrica revela que projeto não fica restrito ao festival e promete reinventar seus maiores hits ao vivo.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • major rd levou banda completa (guitarra, baixo, bateria e DJ) ao Espaço Favela do rock in rio 2026
  • Artista confirmou que o formato vai virar turnê ‘Alfa’ e não será apenas curiosidade de festival
  • Disco homônimo traz participações de MV Bill, DJ KL Jay e até homenagem a Eloy Casagrande, do Slipknot

A transição de Major RD do trap para o rock com banda completa no Rock in Rio 2026 não foi apenas uma mudança de palco — foi uma declaração de guerra sonora. Ao fechar o Espaço Favela com guitarra, baixo, bateria e DJ, o carioca não só roubou a cena no dia mais pesado do festival como também redefiniu os limites do que um rapper brasileiro pode fazer ao vivo, provando que a fusão de gêneros não é modinha, mas projeto de longo prazo.

A história dessa transformação vem sendo escrita há anos. Influenciado pelo pai — que o expôs a Slipknot, Linkin Park, Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii —, Major já sinalizava essa veia roqueira desde a gravadora Rock Danger e a sequência de singles “Só Rock”. Em 2024, o projeto “Titãs Microfonado” havia sido o primeiro grande teste dessa aproximação, quando ele inseriu versos de rap sobre a estrutura de “Cabeça Dinossauro”. Agora, no entanto, o salto é ainda mais ousado: não se trata de sobrepor beats a guitarras, mas de reconstruir completamente os arranjos de suas obras mais conhecidas.

“Eu juntei a minha galera e falei: ‘Preciso de uma banda'”, revelou o artista à Billboard Brasil após a apresentação. A estratégia foi seletiva: músicos mais velhos e experientes, retirados de diferentes bandas de rock, foram reunidos não para acompanhar, mas para co-criar. O resultado foi uma sensação de retroalimentação — Major precisou reaprender músicas que já fazia parte de sua rotina, como se estivesse voltando aos anos 2014, quando tudo ainda era descoberta. “Estava todo mundo meio com medo: ‘O que a gente vai fazer?’. Mas eu já tinha trabalhado dessa forma com os Titãs, então sabia que ia dar certo”, contou.

O álbum “Alfa”, lançado em 29 de julho com 13 faixas, é a prova documental dessa evolução. Além de participações pesadas como MV Bill, DJ KL Jay, Djonga e BK, o disco traz uma faixa batizada em homenagem a Eloy Casagrande, baterista do Slipknot — gesto que mostra como Major não apenas admira o rock, mas se sente parte de uma tradição mais ampla de música pesada brasileira e global. A paternidade, com uma filha de 3 anos, também interferiu diretamente na letra: ele admite que o cuidado com o que diz — agora observado dentro de casa — tornou o disco mais maduro e pessoal.

A análise crítica dessa movimentação aponta para um momento raro na música brasileira: a consolidação de um rapper que não apenas “brinca” de rock, mas se estrutura profissionalmente para habitá-lo. Enquanto muitos artistas de trap ainda tratam guitarras como adereço visual ou sample de fundo, Major RD está montando uma formação elétrica com músicos de carreira, ensaiando repertório e planejando turnê. Isso transcende estética — é uma questão de sobrevivência artística e expansão de público.

Com a turnê “Alfa” confirmada para sair do caderno e ganhar a estrada, o próximo passo é verificar como essa sonoridade vai ressoar fora dos festivais gigantes. A intenção do rapper é clara: “Quero alcançar novos ares, uma galera nova, um público mais maduro”. Se a receptividade no Rock in Rio — ao lado de Sepultura, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold — foi qualquer indicador, Major RD não está apenas levando o rock para o trap, mas重新definindo o que o rap brasileiro pode ser ao vivo. A cena precisa acompanhar.


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— Douglas W.