Gilberto Gil reverencia o Rock in Rio em uma despedida que ninguém quer aceitar

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O ícone da MPB voltou ao palco mais de quatro décadas após sua estreia no festival e provou que sua chama artística continua inabalável.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Gilberto Gil retornou ao Rock in Rio 2026 no Palco Mundo, quase cinco décadas após sua estreia na primeira edição do festival.
  • O show abriu com ‘Cérebro Eletrônico’ e contou com um bloco reggae, covers de Bob Marley e Rita Lee, e participação da neta Flor Gil.
  • O artista brincou que esta pode ser sua última apresentação no festival, mas o público gritou ‘não’ com veemência.

Um ícone que o tempo não apaga

O Palco Mundo do Rock in Rio 2026 recebeu na noite desta segunda-feira (7) um nome que transcende gerações: Gilberto Gil. O cantor baiano, que esteve presente na primeiríssima edição do festival, subiu ao palco e transformou a apresentação em uma celebração viva da história da música brasileira. Entre uma canção e outra, ele brincou com os jornalistas sobre a possibilidade de que aquela pudesse ser sua última vez no evento — e a resposta do público foi imediata e unânime: um coro de ‘não’ que ecoou pelos jardins da Cidade do Rock. Ninguém quer se despedir de Gilberto Gil, e ele sabe disso.

Quatro décadas de uma relação que só se fortaleceu

Antes de iniciar o set, Gil falou ao Gshow sobre como o festival mudou ao longo dos anos. Recordou o momento em que a música popular ganhava status de mobilização juvenil em escala global e comparou com a atualidade, quando o Rock in Rio completa sua edição número 25 — incluindo as expansões internacionais para Portugal, Espanha e Estados Unidos. Essa evolução do festival espelha a própria trajetória de Gil: de artista contestador para um patrimônio cultural vivo, reverenciado tanto por quem tem 20 anos quanto por quem se lembra dos anos 1970.

O show começou com ‘Cérebro Eletrônico’, seguida por ‘Pela Internet’, e o telão de LED do Palco Mundo — grande aposta visual da edição 2026 — projetou imagens coloridas do rosto e do corpo do artista, criando um espetáculo que dialoga com a tecnologia sem perder a alma. Foi um gesto simbólico: Gil, que sempre esteve à frente das inovações sonoras brasileiras, também não fica para trás quando o assunto é experiência visual.

Um repertório que é um mapa afetivo da MPB

O que tornou a noite verdadeiramente memorável foi a diversidade do repertório. Depois dos hits obrigatórios como ‘Andar com Fé’ e ‘Toda Menina Baiana’, Gil reservou um bloco para o reggae, com um cover de ‘Rebel Music (3 O’Clock Road Block)’ de Bob Marley e ‘Vamos Fugir’, canção popularizada pelo Skank. A escolha não é casual: Gil sempre foi um artista que bebe de múltiplas fontes, e essa abertura reflete a maturidade de quem não se prende a rótulos. A mistura de estilos é o que torna sua obra tão viva e contemporânea.

O momento mais emotivo veio quando Gil apresentou sua versão de ‘Ovelha Negra’, de Rita Lee, acompanhado pela neta Flor Gil. A presença da família no palco não foi coincidência — nos bastidores, o artista celebrou o legado musical que construiu em casa, onde a música era matéria-prima do cotidiano. Quase todos os seus descendentes escolheram a vida artística, o que transforma o sobrenome Gil em uma verdadeira dinastia da música brasileira.

O legado que fica além do palco

Talvez esta tenha sido a última vez de Gilberto Gil no Rock in Rio, mas está cada vez mais claro que seu nome estará para sempre gravado na memória do festival. A noite fria de segunda-feira não foi apenas um show: foi uma reverência. O público não veio apenas ouvir músicas — veio prestar homenagem a um homem que ajudou a construir a identidade sonora do Brasil e que, aos quase 80 anos, continua demonstrando uma energia e uma coerência artística que poucos conseguem manter.

O que a edição 2026 do Rock in Rio confirma é que festivais precisam de pilares como Gil para não se tornarem apenas eventos comerciais. Ele é a prova viva de que a música brasileira tem raízes profundas e que, mesmo quando o cenário muda, a essência permanece. Que venham muitos outros ‘Rock in Rio’ para Gil — porque o público ainda tem muito a celebrar.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Gilberto Gil foi um dos fundadores do movimento tropicalista nos anos 1960, revolucionando a música brasileira ao mesclar samba, rock e psicodelia? Ele também chegou a ocupar o Ministério da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008, sendo um dos raros músicos a alcançar protagonismo tanto na arte quanto na política nacional.


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— Douglas W.