A escolha da artista pernambucana para iniciar o primeiro AFROPUNK no Nordeste destaca a valorização das raízes culturais regionais em um festival de alcance global.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Lia de Itamaracá confirma presença no AFROPUNK Recife 2025
- A artista é reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco e Doutora Honoris Causa da UFPE
- A abertura simboliza a valorização da cultura nordestina no circuito internacional de festivais
O primeiro AFROPUNK Experience Recife começa com um nome que carrega consigo décadas de resistência e celebração da cultura popular: Lia de Itamaracá, aclamada “rainha da ciranda”, sobe ao palco no dia 12 de setembro, no campus da UFPE, para marcar a estreia do festival no Nordeste brasileiro.
Essa escolha não é aleatória. O AFROPUNK, após sua passagem pelo Rio de Janeiro e antes da edição principal em Salvador, decidiu iniciar sua trajetória pernambucana com uma figura que personifica a miscigenação rítmica e a ancestralidade do estado. Lia, nascida na Ilha de Itamaracá e criada nas rodas de ciranda desde os 12 anos, leva ao público internacional uma manifestação que, embora profundamente local, dialoga com as lutas por visibilidade e respeito que o festival representa globalmente.
Ao longo de mais de seis décadas, Lia transformou a ciranda de um entretenimento de praia em um patrimônio vivo reconhecido em esferas federal e estadual. Seu primeiro álbum, “A Rainha da Ciranda” (1977), já revelava sua potência, mas foi a participação no Abril Pro Rock de 1998 que a projetou nacionalmente. Desde então, ela equilibrou turnês pela Europa, participações em cinema – como em “Bacurau” – e o recebimento de honrarias como a Ordem do Mérito Cultural e o título de Doutora Honoris Causa da UFPE em 2019.
A análise crítica aponta que a presença de Lia no line‑up do AFROPUNK vai além de simbolismo: ela traz para o circuito eletrônico e urbano uma sonoridade orgânica que desafia a lógica de palco principal dominada por beats pesados. Sua parceria com Daúde no álbum “Pelos Olhos do Mar” (2025), produzido por Pupillo e Marcus Preto, exemplifica exatamente esse diálogo – a ciranda encontra elementos de música eletrônica, MPB e samba, criando uma ponte entre tradição e contemporaneidade que o público do festival certamente sentirá ao vivo.
Fechar a programação de abertura com Lia e Daúde também sinaliza uma tendência crescente de festivais globais reservarem espaço de destaque para raízes afro‑indígenas e nordestinas, reforçando que a inovação não precisa romper com o passado, mas pode, sim, ressignificá‑lo. O AFROPUNK Recife, portanto, não apenas lança uma edição regional, mas propõe um novo modelo de curadoria onde a força da cultura popular é o ponto de partida para experimentações futuras.
💡 Você sabia que Lia de Itamaracá recebeu o título de Doutora Honoris Causa da UFPE em 2019, tornando‑se a primeira artista de ciranda a ser homenageada assim?
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— Douglas W.


