Primeiro lançamento do selo é o álbum ao vivo ‘Disparada’, gravado na cidade natal da cantora com direção de Natasha Jascalevich e uma seleção de músicos da nova geração brasileira.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!
⏱️ Em 5 segundos:
- Atabaque anuncia expansão do seu selo fonográfico com parceria estratégica com a The Orchard Brasil, braço da Sony Music Entertainment.
- O primeiro lançamento é ‘Disparada – Ao Vivo em Búzios’, álbum e registro audiovisual da cantora Mari Jasca, com 14 faixas e direção criativa de Natasha Jascalevich.
- A iniciativa marca a transição da musictech de aceleração de carreiras para curadoria e lançamentos próprios, com foco em artistas fora do eixo Rio-São Paulo.
Atabaque dá salto audacioso e anuncia próprio selo fonográfico em parceria com a The Orchard
A Atabaque, musictech brasileira que ao longo dos últimos anos se consolidou como uma das principais aceleradoras de carreiras no país, acaba de anunciar uma expansão que pode redesenhar seu papel na cadeia produtiva da música nacional. A empresa, fundada por André Izidro — ex-CMO da KondZilla e ex-executivo da Som Livre — e por Odilon Borges, especialista em direitos autorais e licenciamento internacional, selou uma parceria com a The Orchard Brasil, subsidiária do grupo Sony Music Entertainment, para operar oficialmente como selo fonográfico. O primeiro trabalho dessa nova fase é o álbum Disparada – Ao Vivo em Búzios, registro audiovisual da cantora Mari Jasca.
De aceleradora a curadora: a nova identidade da Atabaque
Até então, a Atabaque atuava quase exclusivamente na aceleração de projetos artísticos, oferecendo estratégia de carreira, marketing musical e desenvolvimento criativo para artistas em diferentes etapas de amadurecimento. Ao longo de sua trajetória, a empresa já havia impulsionado nomes como Ludmilla, Jota Quest, Felipe Amorim, Toquinho e Iuna Falcão, além de desenvolver iniciativas para gigantes como Globo, Meta e Google. Agora, a companhia avança para a curadoria e o lançamento propriamente ditos de projetos fonográficos, integrando-se de forma mais profunda no processo criativo e comercial da música.
A escolha de Mari Jasca como estreia do selo não é casual. A cantora, cujo primeiro álbum solo foi lançado em 2024, representa exatamente o tipo de artista que Odilon Borges descreveu como alguém que está despontando no mercado nacional e que merece uma campanha estratégica de lançamento. O álbum ao vivo, gravado na cidade natal de Mari com direção criativa de Natasha Jascalevich, traz 14 faixas que revisitam composições autorais em versões acústicas e espontâneas, incorporando influências da música brasileira e latino-americana. Entre os músicos convidados estão nomes da nova geração, como Michael Pipoquinha, Luiz Otávio, Maju Nunes, Lucas Videla e Gabriel Quinto.
A jogada estratégica: por que The Orchard e por que agora
A parceria com a The Orchard Brasil vai muito além de uma simples distribuição digital. A empresa, que faz parte do ecossistema global da Sony Music Entertainment, oferece à Atabaque uma estrutura de alcance internacional que antes era inatingível para um selo independente brasileiro de porte médio. Estamos falando de inteligência de mercado, serviços de marketing global e uma rede de distribuição que atua em dezenas de mercados pelo mundo.
Na visão de Odilon Borges, o acordo representa uma oportunidade de escalar a operação da Atabaque na descoberta e no desenvolvimento de novos talentos. “A expertise da Atabaque se destaca pelo convite da The Orchard em curarmos artistas que estejam despontando no mercado nacional para focar em campanha estratégica de lançamentos”, afirmou Borges, acrescentando que o segundo álbum do selo já traz uma pegada mais voltada à música urbana fora do eixo Rio-São Paulo, o que demonstra a intenção de fugir da bolha paulistana e apostar no regionalismo musical. O empresário de Mari Jasca, Erick Vecchione, reforçou a sintonia entre os dois projetos: “Alinha os dois momentos, o de Mari e da Atabaque, e assim potencializa o que pode vir por aí.”
O que essa novidade significa para a cena independente brasileira
Do ponto de vista do mercado musical independente, a movimentação da Atabaque sinaliza uma tendência importante: a profissionalização e a verticalização de musictechs brasileiras que antes operavam exclusivamente como prestadoras de serviço e agora desejam assumir um papel mais ativo na cadeia de valor da música. Ao se associar a uma distribuidora global como a The Orchard, a Atabaque não apenas ganha capacidade logística e comercial, mas também legitimidade perante gravadoras maiores, investidores e artistas que buscam alternativas viáveis aos modelos tradicionais.
O fato de o primeiro lançamento ser um registro ao vivo, acústico e intimista — gravado ao pôr do sol em Búzios — também diz muito sobre a identidade que o selo pretende construir. Enquanto o mercado pop brasileiro segue cada vez mais direcionado para produções altamente polidas e focadas em streaming, a Atabaque parece apostar na autenticidade, no regionalismo e na experiência sensorial como diferenciais. É uma posição ousada em um cenário onde a homogeneização sonora tende a dominar as playlists.
Com artistas já procurando a empresa e diversas outras carreiras em avaliação, o selo Atabaque tem potencial para se tornar um dos espaços mais relevantes para o lançamento de novos talentos brasileiros nos próximos anos. O desafio agora será manter a coerência artística à medida que a operação crescer, e entregar resultados comerciais que justifiquem a confiança depositada pela The Orchard. Mari Jasca é apenas o começo — e a escolha de Búzios como cenário do primeiro projeto já diz muito sobre a ousadia que a nova fase da Atabaque pretende carregar.
Mídia / Redes Sociais:
View this post on Instagram
— Douglas W.


