Beth Gibbons estreia no C6 Fest 2027 com turnê de Lives Outgrown em São Paulo

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Vocalista do Portishead volta ao Brasil quase 25 anos depois da última apresentação no país e abre a quinta edição do festival no Parque Ibirapuera

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Beth Gibbons, vocalista do Portishead, é a primeira atração confirmada do C6 Fest 2027
  • Show será em 23 de maio de 2027, último dia do festival, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
  • Artista volta ao Brasil após 24 anos, trazendo a turnê do álbum solo Lives Outgrown (2024), finalista do Mercury Prize

O C6 Fest não poderia ter escolhido carta de apresentação melhor para a sua quinta edição. Beth Gibbons, a voz que definiu o trip-hop nos anos 1990 com o Portishead, é a primeira atração confirmada do festival que acontece entre os dias 20 e 23 de maio de 2027 no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A apresentação está marcada para o último dia do evento, 23 de maio, e marca o aguardado retorno da artista ao Brasil após quase 25 anos de ausência.

A última passagem de Gibbons pelo país foi em 30 de outubro de 2003, quando se apresentou ao lado de Rustin Man (Paul Webb, ex-Talk Talk) no TIM Festival, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Naquela turnê, ela divulgava o álbum “Out of Season”, parceria com Webb lançada em 2002 que se tornou um dos registros mais delicados e subestimados da sua discografia solo. De lá para cá, muita coisa mudou: a artista se afastou dos palcos, o Portishead entrou em um hiato que se estende desde 2014, e o mundo da música se transformou radicalmente.

Esse retorno acontece dentro da turnê de “Lives Outgrown”, terceiro álbum solo de Gibbons, lançado em maio de 2024 após dez anos de gestação. O disco, produzido pela própria cantora ao lado de James Ford (do Simian Mobile Disco) com produção adicional de Lee Harris, baterista do Talk Talk, é uma obra de maturidade crua. As letras mergulham em maternidade, menopausa, ansiedade, envelhecimento e mortalidade — temas que Gibbons encarou após uma série de despedidas de pessoas próximas. O trabalho figurou entre os 12 finalistas do Mercury Prize de 2024, repetindo o feito do lendário “Dummy” (1994), que venceu a mesma premiação em 1995.

É impossível dissociar Beth Gibbons do Portishead, mas é justamente fora da banda que sua figura artística mais cresce. Em 2019, ela surpreendeu o mundo com o registro da Sinfonia nº 3 de Henryk Górecki, gravada em 2014 com a Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa sob regência do já falecido maestro Krzysztof Penderecki. Mais recentemente, em 2022, sua voz apareceu em “Mother I Sober”, faixa do disco “Mr. Morale & The Big Steppers” de Kendrick Lamar — uma das colaborações mais inesperadas e comentadas daquele ano. Em março de 2026, ainda gravou uma versão de “Sunday Morning”, do Velvet Underground, para a coletânea “HELP(2)” da War Child, mostrando que segue ativa e relevante mesmo fora do circuito convencional.

Para o C6 Fest, a escolha de Gibbons como headliner inaugural é um acerto estratégico e estético. Criado em 2023 pela parceria entre o C6 Bank e a Dueto, o festival construiu uma identidade própria ao apostar em artistas com peso de catálogo e prestígio crítico — passaram por lá nomes como Kraftwerk, Robert Plant, The xx, Pretenders, Raye, Samara Joy, Wilco e Pavement. Em um cenário saturado de festivais que disputam público com lineups cada vez mais genéricos, escalar uma artista do calibre de Gibbons é um posicionamento claro: o C6 Fest quer ser o espaço da música adulta, reflexiva e historicamente relevante no calendário brasileiro.

O restante da programação, assim como a divisão por palcos, horários e preços dos ingressos, será divulgado até o fim de 2026, segundo a organização. Mas uma coisa já é certa: o dia 23 de maio de 2027 será uma data histórica no Ibirapuera. Beth Gibbons cantando “Lives Outgrown” em solo brasileiro, depois de um quarto de século, não é apenas um show — é a reconexão de um fio que parecia interrompido, e uma prova de que a verdadeira vanguarda da música contemporânea muitas vezes está nos artistas que insistem em ir devagar.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Beth Gibbons gravou a Sinfonia nº 3 de Górecki com a Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa sob regência do lendário maestro Krzysztof Penderecki? O registro só foi lançado em 2019, mais de cinco anos depois das sessões de gravação — e é considerado um dos trabalhos mais tocantes da carreira solo da artista fora do Portishead.

— Douglas W.