Um retorno inesperado à mídia física no cenário urbano brasileiro e internacional
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!
⏱️ Em 5 segundos:
- Crescimento recorde de 16% nas vendas de CDs nos EUA em 2026
- k-pop impulsiona demanda, com o BTS como exemplo emblemático
- Gen Z adota CDs como objeto de coleção, não apenas som
CDs em Alta? K-pop e Preço Barato Revolvem Moda da Geração Z
Confesso que, quando tomei a decisão de manter minha coleção de quase 2.000 CDs, achei que eu poderia ser chamada oficialmente de acumuladora. Quando o formato caiu em desuso, nos idos de 2010, parecia que seria para sempre. A verdade é que tudo na música é cíclico e, por mais improvável que pareça, o CD está de volta.
Já vinha notando isso durante algumas visitas a lojas de discos fora do Brasil. Ano passado, em Austin, reparei que a seção de CDs na Waterloo, uma das maiores lojas da cidade, estava lotada. De gente bem jovem. Achei estranho. Mas agora essa percepção virou fato.
O Relatório Semestral 2026 da Luminate tangibilizou essa tendência. Trata-se da principal empresa de dados e análise do setor de entretenimento, funcionando como a fonte de informações que alimenta as paradas da Billboard, por exemplo. Os dados divulgados no final de julho apontam que, primeira vez em mais de uma década, o crescimento das vendas de CDs superou o do vinil nos Estados Unidos, com os CDs crescendo 16%, atingindo 16,3 milhões de unidades no primeiro semestre, enquanto o vinil cresceu apenas 2,4%.
Se você, como eu, ainda está processando essa inversão de expectativas, prepare-se: há um fator decisivo que não pode ser ignorado nessa equação e ele é bem mais óbvio do que parece: o preço. Não adianta romanticizar. O CD está ganhando a batalha da mídia física porque é muito mais barato. Enquanto um LP novo custa entre US$ 25 e US$ 40 no mercado americano, um CD novo sai por US$ 10 a US$ 14, quase um terço do valor de uma bolacha. Essa diferença se torna ainda mais dramática quando olhamos para o mercado de segunda mão, onde é possível sair de uma loja de caridade com dezenas de CDs de qualidade por menos do que se pagaria por um único vinil novo.
O caso do BTS é emblemático. O álbum ARIRANG vendeu aproximadamente 567 mil cópias nos Estados Unidos, impulsionado por cinco versões diferentes de CD, cada uma com seus próprios atrativos colecionáveis. E o dado que realmente me chamou a atenção: mesmo excluindo todo o catálogo de K-pop, as vendas de CDs nos EUA ainda cresceram 6,7% no primeiro semestre. Ou seja, o fenômeno não é exclusivo do gênero sul-coreano. Há algo mais profundo acontecendo.
Outro dado impressionante do relatório: 60% dos membros da geração Z afirmam ouvir predominantemente músicas lançadas na década de 1990 ou antes. Isso mostra que a busca pelo retrô não é apenas nostalgia, é uma forma de resistência ao efêmero. Em um mundo onde tudo é streaming, playlist e algoritmo, possuir um objeto físico se torna um ato de afirmação de identidade. O CD renasce não como um formato de audição superior, mas como um objeto de afeto que cabe no bolso.
No Brasil, as três majors (Universal, Sony e Warner) ainda não voltaram a investir no formato. No país, que atualmente opera com três fábricas de vinil (Polysom e Rocinante no Rio, e Vinil Brasil, em São Paulo), estão estavam menos de dez empresas de replicação industrial ativas. Depois de anos defendendo o vinil, talvez seja hora de reconhecer: o CD voltou porque, além de tudo, caber no orçamento é chique pra caramba. Esse chamariz se torna ainda mais importante para uma faixa do público que ainda não tem dinheiro sobrando no bolso, especialmente com a geração Z liderando esse movimento de colecionismo acessível.
— Douglas W.


