Longa ‘Don’t Look Back in Anger’ traz bastidores da reconciliação entre Liam e Noel Gallagher e mostra São Paulo como um dos pontos altos da turnê mundial.
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⏱️ Em 5 segundos:
- documentário estreia em cinemas brasileiros nos dias 10 e 12 de setembro
- Mostra bastidores da reconciliação entre os irmãos Gallagher
- São Paulo e o show no Morumbi ganham destaque nas imagens
Depois de mais de quinze anos de separação, brigas públicas e uma reconciliação que parecia improvável demais, o Oasis finalmente coloca em tela grande a história da sua volta por cima. O documentário “Don’t Look Back in Anger” chega aos cinemas brasileiros nos dias 10 e 12 de setembro com a missão nada simples de traduzir para o grande público o que significou a turnê “Live ’25” — não apenas como evento musical, mas como fenômeno emocional que reacendeu a chama de uma das maiores bandas de rock do mundo.
Dirigido pela dupla Will Lovelace e Dylan Southern — os mesmos responsáveis pelo documentário do Blur e pelo registro do fim do LCD Soundsystem — o filme aposta numa ousadia narrativa: não explica a reaproximação entre Liam e Noel Gallagher, mas nos joga direto no meio da confusão. Começamos nos ensaios, com Noel exigindo precisão e Liam chegando atrasado, teatral, como se o rockstar indomável de outrora ainda fosse o mesmo. A diferença é que agora Liam está em forma, focado, entregando performances dignas do auge dos anos 90.
O Brasil como personagem do filme
Um dos destaques do documentário é justamente o espaço dado ao público brasileiro. As imagens das apresentações em São Paulo, especialmente a noite de encerramento no Morumbi, ganham tratamento quase mitológico. O filme registra não apenas as performances de “Bring It Down” e “Live Forever”, mas também o momento emocional em que a banda homenageia Gary “Mani” Mounfield, baixista do Stone Roses e amigo dos Gallagher, falecido durante a turnê. É um detalhe que mostra como a história do Oasis em 2025 não foi apenas sobre música — foi sobre luto, reencontro e recomeço.
A direção de fotografia de Haris Zambarloukos eleva o documentário a outro patamar: somos colocados acima do palco, nas coxias nervosas antes do show, e no meio da multidão em êxtase. A câmera passa por São Paulo, Tóquio, Buenos Aires e Manchester sem seguir uma ordem cronológica rígida, criando um mosaico emocional que funciona melhor como experiência do que como relato factual.
Análise: um filme para fãs, não para convercer céticos
O roteiro de Steven Knight, nome de “Peaky Blinders” e “Mil Golpes”, entende que o Oasis não precisa ser defendido neste filme — os fãs já estão lá. O documentário sabe exatamente para quem fala: aqueles que lotaram estádios, que cantaram “Wonderwall” em coro, que atribuíram às letras da banda significados que salvaram momentos difíceis. É o caso da jovem brasileira que superou uma depressão com as músicas do Oasis e nomeou seu cachorro com o apelido do guitarrista Bonehead — um detalhe pequeno, mas que resume a dimensão pessoal que a banda alcançou.
No entanto, o filme falha quando tenta explicar a mística do Oasis para quem não viveu a era Britpop. A narrativa privilegia o emocional em detrimento do contexto, e fica a sensação de que o espectador casual sairá da sala sem entender por que essa reunião importava tanto. Noel Gallagher, aliás, aparece constantemente impressionado com o poder que sua obra exerce sobre gerações mais novas — momentos em que ele vira de costas para o público para conter a emoção são dos mais fortes do longa.
A mensagem final é clara, mesmo que ambígua: Liam diz que “só o Oasis salva”, mas admite que não são super-heróis. Noel completa com um tom politizado raro nele: “não é uma experiência de extrema-direita, aqui todos são bem-vindos”. É como se a banda finalmente entendesse que o seu legado vai muito além das guerras pessoais entre irmãos — e que o Oasis pertence, de fato, a quem o adotou como parte da própria história.
— Douglas W.


