Com terceiro single do álbum ‘Toc-Toc‘, o cantor celebra sua identidade brasileira e reafirma sua influência na cena da Música Eletrônica e jazz
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⏱️ Em 5 segundos:
- Ed Motta lança o terceiro single de ‘Toc-Toc’, seu primeiro disco em português em 13 anos
- O som de ‘O Deseja Está Nu‘ é inspirado no oitavismo e na cultura carioca dos anos 80
- O álbum confirma o retorno do cantor à língua portuguesa, agradecendo ao público brasileiro
Em meio à explosão de singles que antecipam seu próximo álbum, Ed Motta desceu afirmado como um dos maiores vozes da música brasileira ao lançar O Deseja Está Nu, seu terceiro single de Toc-Toc. A chegada da faixa não é apenas uma celebração de um novo capítulo artístico, mas também um grito de identidade: após 13 anos de produções em inglês, o cantor reafirma sua conexão com a língua e a cultura que o formaram. A curiosidade é que, ao mesmo tempo em que volta às raízes, Motta não recua de sua experimentação, mas a expande, misturando elementos do jazz, soul e eletrônica de forma inovadora.
Um homenagem ao oitavismo e à Barra dos sonhos
Com o álbum “Toc-Toc” prestes a estreiar, Motta revela que “O Deseja Está Nu” é um dos temas mais recentes do disco, mas já carrega marcas de sua maturidade artística. Em sua própria palavra, o cantor descreve o som como “oitentista”, com referências diretas ao trabalho de Hiroshi Nagai, autor da trilha sonora de Sol de Verão, e à atmosfera nostálgica da Barra da Tijuca dos anos 80. A influência de Robson Jorge e Lincoln Olivetti também se faz presente, especialmente na pegada melódica e na construção harmônica, que evocam a era de ouro do funk carioca. Para Motta, a música é “uma ponte aérea Rio-Havaí”, um convite para reviver o verão de memória com um toque de saudade e modernidade.
Uma trajetória de internacionalização e retorno
A jornada de Ed Motta não é linear. Após o sucesso de discos como Perpetual Gateways (2016), Criterion of the Senses (2018) e Behind the Tea Chronicles (2023), todos compostos em inglês, o cantor mergulhou em um universo sonoro que o levou a colaborações com nomes como Alok, Anitta e até o produtor alemão Kraftwerk. Essa fase de internacionalização o consolidou como um artista capaz de unir a riqueza do Jazz Brasileiro a tendências globais. Agora, com Toc-Toc, ele faz o oposto: volta à língua portuguesa não como um retrocesso, mas como um ato de gratidão. “Gravar um disco em português para um selo alemão é uma forma de agradecer ao meu público brasileiro”, afirma, revelando que a decisão é tanto emocional quanto estratégica.
O terceiro single, portanto, não é apenas uma faixa mais uma, mas um capítulo que reafirma a evolução de Motta. Enquanto “Toc-Toc” e “Eu Quero Ser Feliz” exploravam a fusão entre jazz e eletrônica, “O Deseja Está Nu” se aprofunda na sonoridade oitavista, um timbre que, segundo críticos, evoca os anos 80 com uma frescura surpreendente. A pegada do piano, os sintetizadores atmosféricos e a batida suave criam um pano de fundo que é ao mesmo tempo nostálgico e contemporâneo, um verdadeiro hino ao verão que pode durar décadas.
Além disso, a escolha de um selo alemão para lançar um disco em português é um gesto simbólico. Motta, que desde o início de sua carreira tem navegado entre o Brasil e o exterior, usa o projeto para questionar fronteiras culturais. O álbum “Toc-Toc” não é apenas um tributo ao passado, mas um diálogo com o futuro, onde o jazz brasileiro encontra espaço em plataformas globais sem perder sua essência.
Impacto na cena e o que esperar
O lançamento de “O Deseja Está Nu” já gera expectativas para Toc-Toc, que pode redefinir o que entende-se por fusão entre jazz e eletrônica no Brasil. Em uma época em que artistas como Gaby Amarantos e Ludmilla têm experimentado com sonoridades mais experimentais, Motta abre caminho para uma nova onda de artistas que buscam equilibrar tradição e inovação. O som oitentista, aliado à narrativa pessoal do cantor, pode ser o ponto de partida para colaborações com produtores que exploram o jazz em contextos urbanos, como a cena de Boiler Room ou festivais como o Green Music Festival.
Com o álbum “Toc-Toc”, Ed Motta não apenas retorna às raízes, mas também reafirma seu papel de visionário. Em um mundo onde a identidade cultural é frequentemente negociada, ele escolhe celebrá-la, sem abrir mão da ambição artística. O desafio agora será manter o ritmo de lançamentos e garantir que “Toc-Toc” não seja um episódio isolado, mas o início de uma nova era para a música brasileira no cenário global.
💡 Você sabia que Ed Motta, um dos pioneiros do jazz eletro brasileiro, já colaborou com artistas como Alok, Anitta e até o produtor alemão Kraftwerk, unindo sua identidade local a projetos internacionais?
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— Douglas W.


