Elton John quita dívida de 30 anos com Brasil em show histórico de 24 músicas no Rock in Rio

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Após turnê de despedida excluir o país, astro inglês sobe mais cedo contra a chuva e entrega setlist arrasador que supera todos os headliners da edição 2026.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • elton john antecipou show em 90 minutos por causa da chuva e tocou 24 músicas em 2h15
  • 20 das 24 faixas vieram da turnê Farewell Yellow Brick Road; Brasil havia sido excluído
  • Dua Lipa participou de Cold Heart em versão eletrônica; banda histórica acompanha o astro

Quando o relógio marcava quase meia-noite e uma chuva torrencial castigava a Cidade do Rock, ninguém esperava que o cenário se transformasse em um espetáculo à altura de qualquer estádio europeu. Elton John não apenas quitou uma dívida de três décadas com o público brasileiro — ele fez isso com juros, correção monetária e um show de 24 músicas que entrou para a história do rock in rio 2026.

A dívida que voltou para assombrar (e ser paga)

O astro inglês de quase 80 anos encerrou sua turnê de despedida “Farewell Yellow Brick Road” em julho de 2023, percorrendo o planeta com um repertório de 23 faixas que esgotou arenas em Londres, Nova York, Tóquio e Sydney. Só não passou pelo Brasil. Foi essa omissão que pesou: em entrevista, John admitiu ter se sentido “malvado” por deixar o país de fora, e aceitou o convite do Rock in Rio como forma de retribuir o amor que os fãs brasileiros demonstraram ao longo das décadas. A decisão de antecipar o show em 90 minutos — para fugir da chuva da madrugada — acabou sendo a jogada mais inteligente da noite: deu tempo de um set completo e histórico.

Um setlist que é quase uma viagem no tempo

Vinte das vinte e quatro músicas da noite de segunda-feira já faziam parte do repertório da turnê despedida. Sequências como “Tiny Dancer” → “Sacrifice” → “Honky Cat” → “Rocket Man” e “Candle in the Wind” → “Goodbye Yellow Brick Road” → “Sad Songs (Say So Much)” → “Don’t Let the Sun Go Down on Me” foram executadas com precisão cirúrgica, alternando emoção e energia dance sem nunca perder o fio. A única novidade significativa foi “Cold Heart”, na versão eletrônica com Dua Lipa — uma escolha acertada que trouxe frescor ao meio do repertório mais nostálgico. O público respondeu em uníssono nos “lalalala” de “Crocodile Rock” e transformou “Your Song” no bis perfeito para encerrar a noite.

O homem, a banda e o piano que não envelhecem

Se o rosto de John carrega as marcas incontornáveis do tempo — linhas de expressão mais profundas, cabelo tingido, voz com aspereza natural —, as mãos no piano continuam as mesmas de três décadas atrás. Virtuosismo puro. Ao lado de Davey Johnstone, Nigel Olsson, Ray Cooper, John Mahon, Kim Bullard e Matt Bissonette — músicos cujas idades somadas ultrapassam 430 anos de serviço à música pop —, ele entregou arranjos fiéis às gravações originais, com a sabedoria de quem já viveu cada nota. A banda, muitas vezes tratada como coadjuvante, roubou a cena em momentos instrumentais que revelam uma coesão de grupo rara na indústria atual.

O impacto na cena e o que esperar

Este show coloca Elton John não apenas como headliner, mas como o melhor artista internacional já visto no Rock in Rio 2026 — superando Foo Fighters, Avenged Sevenfold e Calvin Harris em duração e número de canções. Para a cena pop brasileira, a mensagem é clara: o país está cada vez mais presente nos roteiros globais de turnês de peso, e festivais como o Rock in Rio ganham stature ao conseguirem atrair nomes que antes ignoravam o mercado nacional. O que fica no ar é a expectativa: se John ainda tem gás para novas datas na América do Sul, outras cidades brasileiras podem entrar no mapa de shows internacionais nos próximos meses.

Veredito

Mais do que um show, foi uma declaração de amor recíproco. Elton John veio, viu e venceu — e o Brasil correspondeu com a mesma energia que ele prometeu retribuir. Dívida quitada. Com sobras.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Elton John já se apresentou no Brasil em 1995, no festival Hollywood Rock, no Rio de Janeiro? Na época, ele trouxe o álbum Made in England e causou comoção na Marina da Glória.

— Douglas W.