Fãs do BTS detonam petição e pressionam Prefeitura de SP por Chave da Cidade

0
24

Mais de 115 mil assinaturas em dois meses escancaram força do ARMY brasileiro e colocam a Prefeitura de São Paulo em posição delicada antes dos shows do grupo no MorumBIS.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

⏱️ Em 5 segundos:

  • Petição ultrapassa 115 mil assinaturas verificadas no Change.org
  • Campanha é dirigida à Prefeitura e secretarias municipais de São Paulo
  • Chave da Cidade é honraria raríssima, quase sempre entregue à Corte do Carnaval
  • BTS fará três shows esgotados no MorumBIS em outubro, encerrando etapa latina da turnê ARIRANG

Não é de hoje que o ARMY brasileiro mostra uma capacidade de mobilização capaz de mover estruturas — mas o que aconteceu nas últimas 24 horas com a petição pela Chave da Cidade de São Paulo ao BTS transcende a fanbase e entra no campo do fenômeno sociológico. Em um único dia, a campanha saltou de cerca de 35 mil para mais de 115 mil assinaturas verificadas, um crescimento exponencial que pegou até os organizadores de surpresa e recolocou na mesa um debate raro: até que ponto a cultura pop coreana já se consolidou como patrimônio cultural em São Paulo?

A petição, criada no Change.org em 22 de junho, levou praticamente dois meses para conquistar seus primeiros 15 mil apoios. Foi o anúncio iminente dos shows no MorumBIS, aliados à viralização nas redes sociais, que transformaram uma ideia quase simbólica em uma avalanche de engajamento. O documento é endereçado diretamente à Prefeitura, à Secretaria Municipal de Cultura, à SPTuris, à Secretaria de Turismo e à Secretaria de Relações Internacionais — ou seja, não se trata de um pedido qualquer, mas de uma investida institucional articulada que reconhece a importância diplomática do gesto.

Uma honraria quase intocável

Para entender a dimensão do que está sendo pleiteado, é preciso olhar o histórico da Chave da Cidade de São Paulo. Diferente de cidades europeias, onde a honraria é entregue com frequência a dignitários e artistas, a capital paulista reserva o gesto para pouquíssimas ocasiões — e, nos últimos anos, a tradição se consolidou em torno da Corte do Carnaval. Em 6 de fevereiro deste ano, o prefeito Ricardo Nunes entregou a chave à Corte de 2026 na Fábrica do Samba, repetindo o ritual de 2025, 2023, 2019 e 2009. Entrar nessa lista, mesmo que simbolicamente, seria o BTS furar uma bolha institucional fechada há quase duas décadas.

O argumento central do texto é difícil de contestar: São Paulo abriga uma das maiores comunidades de fãs do BTS fora da Ásia, e o grupo mantém com o público brasileiro uma relação que extrapola a música. A turnê ARIRANG — que marca uma fase artisticamente mais introspectiva do septeto após o hiato e o retorno — fecha sua etapa latino-americana justamente na capital paulista, com três noites esgotadas no MorumBIS nos dias 28, 30 e 31 de outubro. Os ingressos voaram na venda geral de 10 de abril, consolidando a maior passagem do grupo pelo país em número de shows e público.

O ARMY como máquina cultural

O que chama a atenção não é apenas o número, mas a curva de crescimento. Cinco vezes mais assinaturas em um único dia do que em dois meses inteiros de coleta revela uma engenharia de mobilização comunitária que pouca base de fãs no mundo consegue replicar. O ARMY já demonstrou esse poder em outras ocasiões — foi assim na campanha para que “Dynamite” conquistasse recorde no YouTube, na arrecadação de fundos para o Live Nation e no lobby para que o grupo se apresentasse na ONU —, mas no Brasil o movimento ganha um tempero adicional: o desejo de reconhecimento oficial de um vínculo que já é orgânico.

Em 2014, um ano após a estreia, o BTS veio ao Brasil para um fã-meeting modesto, com cerca de 1.500 pessoas. Em 2019, o cenário mudou radicalmente com dois shows lotados no antigo Allianz Parque. Agora, em 2025, são três estádios — cada um com capacidade superior a 45 mil pessoas — completamente esgotados. A escalada fala por si: o grupo deixou de ser nicho de música asiática para se tornar um dos maiores nomes do pop global, e o público brasileiro foi protagonista dessa escalada.

Expectativa e impacto simbólico

Mesmo que a Chave da Cidade não venha — e a probabilidade real é considerável, dado o histórico recente da honraria —, a petição já cumpre um papel relevante. Ela força a Prefeitura a se posicionar publicamente sobre o peso cultural de um evento que vai movimentar a economia, o turismo e a imagem internacional de São Paulo. Em tempos de cidades competindo por sediar grandes turnês, ignorar 115 mil cidadãos mobilizados em nome de um símbolo seria, no mínimo, uma oportunidade desperdiçada de marketing institucional. A conferir se o poder do ARMY consegue, mais uma vez, o que parece impossível.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que, em 2014, o BTS veio ao Brasil pela primeira vez para um fã-meeting para apenas 1.500 pessoas em São Paulo? Menos de uma década depois, o grupo lota três estádios seguidos no MorumBIS — um crescimento que poucos artistas, em qualquer gênero, conseguiram igualar.


Mídia / Redes Sociais:

— Douglas W.