Festival Psica faz história ao lotar o Marajó com 15 mil pessoas e movimentar R$ 3 milhões na economia local

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Primeira edição no Verão Amazônico celebrou a cultura marajoara com shows gratuitos e protagonismo de artistas da região em uma Vila de Joanes transformada em palco ao ar livre.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Primeira edição do Festival Psica no Verão Amazônico reuniu 15 mil pessoas na Vila de Joanes, no Marajó, ao longo de dois dias.
  • Programação gratuita contou com dez shows que colocaram artistas nacionais e nomes da cena amazônica em destaque.
  • Evento movimentou R$ 3 milhões na economia local e gerou 120 empregos diretos e 300 indiretos.

Durante dois dias, a Vila de Joanes se transformou em um grande ponto de encontro entre o Marajó e o restante do Brasil. A primeira edição do Festival Psica no Verão Amazônico recebeu cerca de 15 mil pessoas, que acompanharam dez shows gratuitos em meio ao pôr do sol na praia e encontros à beira d’água. Artistas nacionais dividiram o palco com mestres da cultura marajoara e nomes da nova cena amazônica, em uma celebração que colocou o próprio território no centro de toda a programação.

“É um marco para a gente. Enquanto muita gente diz que está na hora de ir para o Rio ou São Paulo, nós fizemos o caminho contrário: voltamos para as nossas raízes. O Marajó tem uma influência enorme na história do Psica e na forma como entendemos a cultura amazônica. Esta terra já deu muito mais para a gente do que qualquer coisa que possamos oferecer. O festival é uma relação de troca e de afeto com esse território”, afirma Jeft Dias, diretor do Psica.

Além da programação artística gratuita, o Festival Psica movimentou cerca de R$ 3 milhões na economia local, gerou 120 empregos diretos e aproximadamente 300 indiretos, envolvendo trabalhadores, fornecedores e empreendedores de toda a região.

Marajó no centro do palco

A proposta do evento ficou evidente já na primeira noite, quando um dos momentos mais marcantes foi protagonizado por Mestre Zezinho, de Cachoeira do Arari. Autor de Invernada Marajoara, um dos carimbós mais emblemáticos da cultura da ilha, o compositor emocionou o público ao interpretar canções que retratam as paisagens, os campos alagados e o cotidiano do Marajó. Ao lado do grupo Balanço de Maré, reafirmou a força da música autoral produzida na região.

“É um prazer imenso participar do Psica, um festival que valoriza o caboclo marajoara, o linguajar, as expressões e as estações bem definidas da região. No verão, o campo vira mar e você passa de carro; no inverno, atravessa a flor d’água, contemplando as paisagens que o Marajó tem de melhor. Para mim, fazer parte desse festival foi muito importante”, afirmou o mestre.

A abertura do Festival Psica ainda reuniu a histórica Tribo de Jah, referência do reggae nacional, a DJ Cleide Roots e o duo Layse & Lambada da Serpente. Guiado pela guitarrista, baterista, cantora e compositora Layse, o grupo apresentou uma releitura contemporânea da lambada atravessada pela guitarrada amazônica e foi um dos shows mais celebrados da primeira noite.

Depois de mais de 15 anos sem se apresentar no Pará, a banda pernambucana Mombojó protagonizou um dos reencontros mais aguardados do Festival Psica. No encerramento do show, o vocalista Felipe S desceu do palco e foi carregado pelo público antes de participar de uma grande roda de pogo na areia da praia.

Fechando a programação, Duda Beat lotou completamente a praia de Joanes com um espetáculo acompanhado por bailarinos e celebrou o retorno ao Pará, afirmando que estava feliz por voltar a se apresentar no estado após um longo período sem shows por aqui.

Mais do que reunir atrações de diferentes partes do Brasil, a primeira edição do Psica no Verão Amazônico reforçou uma característica que acompanha o Festival Psica desde sua criação: colocar artistas amazônicos em posição de protagonismo. Além de Mestre Zezinho e Balanço de Maré, a programação reuniu Grupo Paracauari convida Mestra Jesus, Encanto Marajoara, Mega Pop Show, Rock dos Brabos, DJ Rafael Cassiano e DJ Pedrita, aproximando diferentes gerações e territórios da música produzida na Amazônia.

Impacto além da música

A valorização do território também apareceu na estrutura do Festival Psica. O palco e o pórtico de entrada foram criados por artistas marajoaras do coletivo Caroço a partir de madeiras de embarcações recolhidas nas praias do Marajó. O que antes era descarte, levado pelas marés, foi transformado em arte e cenografia, incorporando à identidade visual do evento fragmentos de barcos que um dia navegaram pelos rios da ilha.

“Encontramos na praia de Joanes a beleza trazida pelas nossas marés. Presentes navegantes que transformamos em matéria-prima para dar forma ao nosso sonho. Transformar o que seria descarte, resíduo, em arte e em estilo de vida”, escreveu o coletivo Caroço, responsável pela criação do pórtico e de parte da cenografia do Festival Psica.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que o palco e o pórtico do Festival Psica foram construídos com madeiras de embarcações recolhidas nas praias do Marajó pelo coletivo Caroço, transformando resíduos deixados pelas marés em cenografia e arte?


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