Cantora de Ribeirão Preto mistura sertanejo e pagode em projeto autoral e conta como a fonoaudiologia moldou sua relação com a voz e a carreira artística.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Gabi Fernandes, de Ribeirão Preto, cunhou o termo pagonejo ao fundir sertanejo e pagode em suas composições
- A cantora teve sua primeira música incluída na playlist editorial Pagonejo do Spotify, impulsionando sua visibilidade
- Ex-jogadora de futebol e formada em fonoaudiologia, ela compôs homenagens a Neymar, Ronaldo Fenômeno, Rayssa Leal e Rebeca Andrade
- O novo projeto Pagonejo na Sala promete expandir a sonoridade que vem conquistando o público brasileiro
A história de Gabi Fernandes parece ter sido escrita com a mesma criatividade que ela coloca em suas composições. Originária de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, a cantora não apenas construiu uma identidade sonora própria ao fundir sertanejo e pagode — cunhando o termo pagonejo — como também carrega uma trajetória de vida que poucos artistas brasileiros conseguem reunir em uma só narrativa: futebol, fonoaudiologia e música.
Tudo começou em 2020, quando uma gravação com o grupo Inimigos da HP resultou na primeira inserção da cantora na playlist editorial Pagonejo do Spotify. Foi nesse momento que o nome que ela já usava naturalmente em suas criações ganhou vida própria e se tornou um movimento. Antes disso, um produtor já havia percebido algo distintivo em suas músicas: a presença frequente de acordes de sétima maior, uma variação harmônica raramente explorada no sertanejo convencional, que costuma se apoiar em progressões mais quadradas e previsíveis. Foi essa ousadia harmônica que rendeu a Gabi seu próprio gênero musical.
Mas a trajetória de Gabi Fernandes não se resume à música. Aprendeu violão aos oito anos, mesma época em que começou a jogar futebol em escolinhas. Chegou a disputar a Disney Cup, nos Estados Unidos, e nutria o sonho de se tornar jogadora profissional. No entanto, a percepção da precariedade da estrutura do futebol feminino no Brasil na época a fez repensar seus caminhos. A experiência nos EUA, onde o esporte feminino recebia tratamento radicalmente diferente, marcou profundamente sua visão de mundo e alimentou uma paixão que nunca desapareceu — apenas encontrou novas formas de expressão.
A essa paixão pelo esporte somou-se uma vocação técnica: Gabi é formada em fonoaudiologia com especialização em voz. Uma escolha deliberada, motivada pela vontade de nunca depender de terceiros para cuidar de seu instrumento de trabalho principal. Essa combinação de conhecimento científico com sensibilidade artística se reflete diretamente na qualidade vocal e na forma como ela constrói suas interpretações, diferenciando-se de grande parte dos artistas que surgem sem qualquer preparo técnico formal.
Suas homenagens musicais a ídolos do esporte ganharam repercussão nacional. A composição dedicada a Neymar durante a final da Champions League de 2020 chegou ao jogador em menos de 24 horas — um feito que evidencia tanto o alcance de sua plataforma quanto a autenticidade de sua conexão com o público. Depois vieram músicas para Ronaldo Fenômeno, Rayssa Leal e Rebeca Andrade, transformando Gabi em uma espécie de cantora oficial das conquistas esportivas brasileiras contemporâneas.
O novo projeto Pagonejo na Sala representa o amadurecimento natural de tudo o que Gabi construiu até aqui. Não se trata de uma repetição, mas de uma expansão consciente de uma sonoridade que já se consolidou no cenário nacional. O pagonejo, antes uma experimentação pessoal, ganha agora um formato de projeto estruturado, com potencial para atrair novos ouvintes e, quem sabe, inspirar uma geração de artistas a explorarem as fronteiras entre gêneros musicais brasileiros. Com a versatilidade de quem viveu futebol, estudou ciência da voz e mergulhou de cabeça na cultura popular, Gabi Fernandes está mais do que posicionada para se tornar uma das vozes mais relevantes da música brasileira contemporânea.
💡 Você sabia que Gabi Fernandes compôs uma música dedicada a Neymar durante a final da Champions League de 2020 e conseguiu entregá-la ao jogador em menos de 24 horas?
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— Douglas W.


