Cantora se prepara para estreia no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 e reflete sobre resiliência, empatia e identidade em entrevista exclusiva
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⏱️ Em 5 segundos:
- Halsey afirma que a maternidade a suavizou, mas também a tornou mais resiliente e empática
- Cantora relembra colaboração com Trent Reznor e Atticus Ross que, segundo ela, surpreenderia sua versão adolescente
- Artista mantém o sentimento de ser uma “outsider” como marca pessoal e artística
A cena do Palco Mundo do Rock in Rio 2026 promete receber uma das vozes mais intensas e multifacetadas da geração atual. Halsey sobe ao palco neste domingo (13) carregando não apenas seus hits, mas também uma reflexão madura sobre como a vida pessoal redesenhou sua relação com a arte. Em conversa exclusiva com a Billboard Brasil, a cantora abriu o jogo sobre transformação, vulnerabilidade e os laços que a mantêm firme em um mercado musical cada vez mais volátil.
Da rua de Brooklyn ao maior festival do mundo
A trajetória de Halsey é daquelas que parecem saídas de um roteiro, mas que, na prática, foram costuradas com muita persistência e uma identidade inconfundível. Antes de dominar charts globais e colaborar com nomes de peso, Ashley Frangipane era uma jovem que se apresentava nas ruas de Brooklyn, literalmente debaixo da sombra da estação que emprestaria seu nome artístico. Essa origem é essencial para entender a artista que chega ao Rock in Rio: alguém que construiu sua carreira sem abandonar a essência de quem sempre se sentiu à parte, uma outsider por escolha e por natureza.
A colaboração com Trent Reznor e Atticus Ross, nomes sagrados do Nine Inch Nails, é um dos marcos mais significativos de sua carreira. Integrar uma sonoridade tão intimista e industrial ao seu universo pop não foi apenas uma aposta criativa — foi uma declaração de que Halsey não tem medo de transgressões artísticas. Se fosse possível viajar no tempo e mostrar essa conquista à versão de 18 anos da cantora, ela provavelmente teria ficado sem palavras, como a própria Halsey admite com bom humor.
A maternidade como nova bússola criativa
O que mais impressiona na declaração de Halsey é a honestidade brutal com que ela descreve a dualidade da maternidade. Ser mãe, segundo a artista, não a transformou em alguém mais fraco — pelo contrário. A experiência de cuidar de uma vida humana a fez recalibrar suas prioridades: o que antes parecia gigante agora é visto com proporções mais humanas, e o que antes era motivo de insegurança se tornou combustível de resiliência. “Coisas que pareciam difíceis, eu penso: ah, isso não é nada”, afirmou.
Há, porém, uma camada mais delicada nessa reflexão. Halsey descreve um aumento significativo de empatia — a capacidade de olhar para as pessoas e enxergar nelas a mesma idade que seu filho tinha. Esse deslocamento emocional é raro em artistas que vivem sob os holofotes há tanto tempo, e pode explicar uma certa abertura maior em sua obra recente. Não se trata de uma cantora que amoleceu; é uma que desenvolveu uma radiografia emocional mais precisa para o outro.
A eterna sensação de não pertencer
Curiosamente, a maternidade não apagou o sentimento de exclusão que Halsey carrega desde antes da fama. Ela reconhece que ainda se sente, em certos momentos, uma pessoa à margem — e argumenta que essa é justamente a força que a move criativamente. A necessidade de conexão, de ser vista e compreendida, é o motor que a faz continuar criando mesmo quando o mundo ao redor oferece cada vez menos espaço para a vulnerabilidade artística.
O que surpreende Halsey hoje, ao olhar para trás, é a tranquilidade interna que construiu. Cercada por pessoas que a acompanham desde os primórdios e confortável com as decisões que tomou, ela representa um tipo raro de artista pop: uma que encontrou seu centro sem perder a bússola criativa. E essa serenidade, longe de ser sinal de acomodação, parece ser o prelúdio de uma fase ainda mais ousada.
Rock in Rio como nova página, não como despedida
A estreia de Halsey no Palco Mundo do Rock in Rio não deve ser apenas mais uma apresentação em um festival de grande porte. Com a maturidade artística que adquiriu nos últimos anos e a liberdade criativa que a maternidade e novas parcerias lhe conferiram, a performance no Brasil tem potencial para ser um divisor de águas na percepção do público sobre o que a cantora é capaz de entregar ao vivo. Depois deste festival, espera-se que Halsey continue expandindo os limites entre o pop, o alternativo e a experimentação — provando que ser suavizada e ser fortalecida não são coisas incompatíveis, mas sim as duas faces de uma artista em plena evolução.
💡 Você sabia que o nome artístico Halsey vem da estação de metrô Halsey Street, no bairro de Brooklyn, em Nova York, onde Ashley Frangipane — nome verdadeiro da cantora — costumava se apresentar de rua quando ainda era desconhecida?
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— Douglas W.


