Hitmaker: De Cavaquinho Quebrado ao Palco do Rock in Rio

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  • Hitmaker, compositor de grandes sucessos, fará sua estreia como artista principal no Palco Favela do Rock in Rio 2026.
  • Sua trajetória é marcada por uma promessa feita à avó adotiva, que faleceu no dia em que ele aprendeu a tocar seu primeiro cavaquinho.
  • Após anos como compositor anônimo, o convite de Anitta o empurrou de volta aos palcos, fechando um ciclo com o EP ‘Hit Dance’.

Uma das histórias mais comoventes da Música Brasileira atual chega a seu clímax este fim de semana: Hitmaker, o compositor por trás de alguns dos maiores sucessos do Funk Carioca, sobe ao Palco Favela do Rock in Rio pela primeira vez como artista principal. E a jornada que o levou até ali é um testemunho de superação que transcende a música.

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A história começa não em estúdios sofisticados, mas em Piedade, na Zona Norte do Rio, onde Hitmaker foi criado por sua avó adotiva. Ele nunca escolheu a música; foi escolhido por ela. O micro system antigo que tocava ininterruptamente pagode, com Alexandre Pires e Só Pra Contrariar, era o universo sonoro da sua infância. Mas foi quando a avó adoeceu, com apenas 11 anos, que a música se tornou uma promessa de vida.

Sem entender a gravidade da doença, Hitmaker via sua avó, seu porto seguro, mudar. A solução surgiu de forma improvisada: um cavaquinho quebrado, emprestado por um vizinho, com apenas duas cordas e sem tampão. Foi ao abrir o encarte de um disco do Só Pra Contrariar que teve seu primeiro contato genuíno com a arte. Horas a pé para economizar passagem, meses de treino solitário para aprender “Interfone”, a música favorita de sua avó. E no dia em que finalmente consegui tocá-la, ela faleceu. “Desde esse dia, eu só decidi cumprir todas as promessas que tinha feito para minha avó”, afirma. A tatuagem “Nunca desista dos seus sonhos” que fará no Rock in Rio é o resumo dessa jornada.

Essa promessa se transformou em uma carreira de compositor anônimo para grandes nomes como Rodriguinho e Belo. Foi o produtor Batutinha, parceiro de Anitta, que o empurrou para o mundo do funk, com o desafio de escrever “com menos acordes”. O resultado foi “Beijinho no Ombro”, um hit que, segundo ele, “mudou minha vida”. Mas mesmo emplacando composições, Hitmaker sentia um vazio: compor para outros não bastava.

A virada veio de uma sugestão inesperada da própria Anitta durante a gravação de “Combate”: “Amigo, por que você não volta a cantar?”. O convite coincidiu com um momento simbólico: no mesmo dia, ele encontrou o contrato de dez anos que o prendia a um antigo empresário, justamente na data em que o documento completava uma década. Foi o empurrão final que ele precisava para fechar um ciclo e abir outro.

O retorno aos palcos se consolidou com o projeto “Hit Dance”, um EP em parceria com a FitDance que uniu suas composições à dança. “Agora eu vou cantar, vou compor, vou produzir, vou dançar também. Agora, sim, me sinto completo”, diz. Sua apresentação no Rock in Rio não é apenas mais uma do festival; é a consolidação de uma das histórias de superação mais inspiradoras da música brasileira, provando que a resiliência, quando guiada por um propósito, pode transformar a dor em arte e um cavaquinho quebrado em um palco mundial.

Ouça os maiores sucessos de Hitmaker


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— Douglas W.