Ivete Sangalo revela a arte de reinventar seus shows a cada noite de trio elétrico

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No Fortal 2026, a cantora baiana explica como a energia do público dita o repertório em tempo real e por que ela evita repetir combinações entre circuitos.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Ivete Sangalo revela no Fortal 2026 que monta seus sets de trio elétrico com base nas emoções que sente da plateia em tempo real
  • Cantora evita repetir músicas nos mesmos pontos do percurso, já que o público muda ao longo do circuito
  • Ela afirma ter tocado 70% do repertório em uma única noite e diz que o desafio é compactar tantas canções em um show de horas

Nos bastidores do Fortal 2026, onde o trió elétrico de Ivete Sangalo mais uma vez promete esquentar os trios de foliões, a cantora baiana revelou um detalhe que poucos conhecem sobre a engenharia por trás de seus shows: o repertório não é fixo, nem ensaiado de forma rígida, mas sim uma conversa viva com o público. Em entrevista exclusiva à Billboard Brasil, Ivete explicou que a primeira decisão artística de cada noite não é musical — é energética. “Não dá para subir no trio, fazer um Carnaval arrastando corrente. Primeiro passo. Segundo passo é o repertório”, disse, revelando que a disposição e a alegria que ela consegue transmitir são o alicerce sobre o qual toda a estrutura do show é construída.

Essa abordagem coloca Ivete Sangalo em um território raro entre os artistas brasileiros de grande escala: a improvização consciente. Enquanto grandes nomes da música eletrônica e do pop costumam se apoiar em setlists previamente planejados — muitas vezes sincronizados com projeções visuais ou efeitos sincronizados —, a cantora baiana confia na leitura emocional da multidão. “Eu vou fazendo muito a partir das emoções que estão acontecendo embaixo. Se o público tá precisando respirar um pouco, eu já mudo o repertório. Se tá um clima mais apaixonado, eu já vou para o caminho de memória da carreira”, contou, descrevendo um processo que mistura intuição, experiência e uma conexão visceral com quem está ali do outro lado do trio.

O que torna essa prática ainda mais impressionante é a escala dos shows de Ivete no Carnaval. Ao contrário de apresentações em clubes ou festas de tamanho médio, os circuitos de trio elétrico podem durar várias horas e percorrer quilômetros de ruas, com o público se renovando constantemente. A própria cantora reconhece que o repertório precisa acompanhar essa dinâmica: “Eu procuro não tocar aquela mesma música naquele mesmo lugar, que ali tinham pessoas que já estavam e que hoje não vão estar. Então eu já mudo a coisa.” É uma forma de respeitar quem chega mais tarde e de manter a novidade viva para quem acompanha o percurso desde o início — uma curadoria em tempo real que poucos artistas no Brasil se propõem a fazer com tal deliberação.

Outro ponto que chama a atenção na declaração de Ivete é o papel ativo do público na construção do setlist. Ela mencionou que ouve pedidos diretos na multidão: “Muita gente me pede lá embaixo: ‘Toca tal, que eu não lembrava que tocava’.” Isso cria uma espécie de diálogo democrático entre artista e plateia, onde canções que ficaram esquecidas no catálogo podem ressurgir com força total quando a energia pede. Para um artista com um catálogo vasto e uma carreira de mais de três décadas — que abrange desde os grandes hits do axé dos anos 1990 até lançamentos mais recentes —, essa flexibilidade é um trunfo que poucos colegas de geração conseguem replicar com a mesma naturalidade.

Quando questionada sobre se existe alguma música que o público nunca deixa faltar, independentemente do tamanho do show, Ivete surpreendeu ao dizer que praticamente todo o seu repertório acaba entrando em cena. “Ontem, por exemplo, eu fiz 70% do repertório. Tem muita coisa, é difícil você fazer um compacto… mas tem muita coisa para ser tocada, e é difícil falar, porque eles ficam felizes com tanta coisa.” A declaração revela não apenas a amplitude do trabalho de Ivete, mas também a generosidade com que ela trata seu público — recusando-se a reduzir um show inteiro apenas aos maiores sucessos, mesmo quando a pressão por hits seria enorme.

O que a abordagem de Ivete Sangalo no Fortal 2026 sugere é que o Carnaval brasileiro ainda é um dos últimos palcos onde a performance ao vivo pode ser verdadeiramente orgânica, moldada pela troca imediata entre artista e plateia. Em uma era em que muitos shows são cada vez mais parecidos com eventos coreografados e sincronizados digitalmente, a postura da cantora baiana reafirma o valor da espontaneidade e da conexão humana no centro da experiência musical. O Fortal 2026 pode ter sido apenas mais uma edição do circuito, mas as palavras de Ivete ecoiam como um lembrete de que, no Carnaval, a magia acontece quando o artista se permite ser conduzido pela própria multidão.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que Ivete Sangalo começou sua carreira solo em 1992, após integrar o grupo Banda Eva por quase uma década, e desde então se tornou uma das maiores vendedoras de ingressos de shows no Brasil, acumulando mais de 25 milhões de álbuns vendidos ao longo de sua trajetória?


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— Douglas W.