Cantora carioca conta como descobriu ‘Stories from the City, Stories from the Sea’ e por que o disco de 2000 continua sendo sua referência musical definitiva.
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⏱️ Em 5 segundos:
- Letrux participou do quadro ’10 de 10′ da Billboard Brasil e revelou seu álbum favorito
- O escolhido foi ‘Stories from the City, Stories from the Sea’, de PJ Harvey, lançado em 2000
- A cantora destacou faixas como ‘This is Love’ e a parceria com Thom Yorke do Radiohead
Há discos que transcendem o tempo e se transformam em bússolas existenciaais para quem os descobre. Foi exatamente esse o sentimento que Letrux compartilhou ao participar do quadro ’10 de 10′ da Billboard Brasil, revelando que ‘Stories from the City, Stories from the Sea’, quinto álbum de estúdio da britânica PJ Harvey, é o seu disco favorito absoluto. Mais do que uma simples escolha de playlist, a declaração da cantora carioca abre uma janela fascinante para entender as influências que moldaram sua identidade artística.
A história de como Letrux chegou ao álbum é, por si só, um retrato de uma época. Em 2000, quando o disco foi lançado, a internet ainda engatinhava no Brasil e o acesso à música internacional dependia de uma rede de descobertas muito mais artesanal. A cantora, que então tinha 18 anos, confessa que não ouviu o álbum no calor do lançamento. Foi apenas em 2004, com ‘Uh Huh Her’, que ela teve seu primeiro contato com o universo de PJ Harvey — e foi amor à primeira audição. O ápice desse encantamento veio quando ela viajou sozinha de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo para assistir ao show de PJ Harvey no Teen Festival, uma daquelas jornadas que marcam a vida de qualquer fã de música.
O que torna essa revelação especialmente interessante é a forma como Letrux articula sua conexão com o disco. Quando finalmente mergulhou em ‘Stories from the City, Stories from the Sea’, ela encontrou algo que ressoava profundamente com sua própria identidade. O título do álbum — ‘Histórias da Cidade, Histórias do Mar’ — funcionou como um espelho para a carioca, que se define como ‘bem cidade, bem mar’. Não é difícil entender a afinidade: PJ Harvey construiu nesse disco uma narrativa sobre Nova York que transborda energia urbana, salinidade e uma tensão constante entre a civilização e a natureza — elementos que também perpassam a obra de Letrux.
Do ponto de vista crítico, a escolha de Letrux é impecável. ‘Stories from the City, Stories from the Sea’ é amplamente considerado o ponto de equilíbrio perfeito na discografia de PJ Harvey, o momento em que ela conseguiu aliar a ferocidade crua de seus primeiros trabalhos com uma sofisticação composicional sem precedentes. Faixas como ‘This is Love’ — que Letrux destacou pelo clipe icônico com PJ Harvey de terninho branco e vento no cabelo — e a parceria com Thom Yorke do Radiohead em ‘This Mess We’re In’ representam o auge de uma artista que não temia se expor emocionalmente enquanto entregava hinos de rock alternativo com apelo pop genuíno.
As faixas favoritas escolhidas por Letrux também dizem muito sobre sua sensibilidade como compositora. ‘One Day There’ll Be Another Place for Us’ carrega uma melancolia esperançosa que ecoa em muito do que a brasileira construiu em sua própria carreira. ‘You Said Something’, com sua intimidade quase confessional, revela um lado de Letrux que valoriza a palavra cantada como ato de vulnerabilidade. Não é à toa que ela confessa chorar com o disco até hoje — há uma honestidade visceral em PJ Harvey que certamente inspirou a candura que se tornou marca registrada da carioca.
Em um cenário musical brasileiro onde as referências internacionais muitas vezes se limitam ao pop mainstream, a escolha de Letrux por um álbum de rock alternativo britânico de 2000 é um lembrete poderoso da importância de olhar para além do óbvio. PJ Harvey construiu uma carreira desafiando expectativas e reinventando seu som a cada disco, e talvez essa seja a maior lição que Letrux absorveu: a coragem de ser mutável, de habitar diferentes cidades sonoras sem perder a essência. Que mais artistas brasileiros tenham a generosidade de compartilhar essas influências formativas — porque é exatamente nessas escolhas pessoais que encontramos os fios invisíveis que conectam a música mundial em uma rede muito maior do que qualquer algoritmo consegue mapear.
💡 Você sabia que ‘Stories from the City, Stories from the Sea’ rendeu a PJ Harvey o Mercury Prize de 2001, tornando-a a primeira artista a vencer o prêmio duas vezes?
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— Douglas W.


