Paulo Ricardo revela que show no C6 no Rock será recriação fiel de ‘Rádio Pirata Ao Vivo’

0
25

Se 1986 pudesse ser resumido pela discografia do Rock Brasileiro, o sábado do C6 no Rock daria uma boa amostra. Plebe Rude toca “O Concreto Já Rachou”, Paulo Ricardo, fundador do RPM, revisita “Rádio

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

⏱️ Em 5 segundos:

  • Paulo Ricardo vai recriar o show ‘Rádio Pirata Ao Vivo‘ no C6 no Rock, com a montagem original dirigida por Ney Matogrosso.
  • O espetáculo inclui faixas que desapareceram dos shows do RPM ao longo das décadas, resgatando a essência de 1986.
  • O festival C6 no Rock homenageia os discos de 1986, um ano marcante para o rock brasileiro.

Se 1986 pudesse ser resumido pela discografia do rock brasileiro, o sábado do C6 no Rock daria uma amostra significativa. Plebe Rude toca “O Concreto Já Rachou”, Paulo Ricardo, fundador do RPM, revisita “Rádio Pirata Ao Vivo”, Titãs apresenta “Cabeça Dinossauro” e Os Paralamas do Sucesso leva “Selvagem?” ao palco. Quatro discos lançados no mesmo ano que ajudam a explicar o gigantismo alcançado pelo rock nacional naquele período.

No caso de Paulo Ricardo, há uma particularidade que vai muito além de uma simples homenagem. “Rádio Pirata Ao Vivo” nasceu do próprio espetáculo do RPM, dirigido por Ney Matogrosso, que percorreu o país entre 1985 e 1986. O disco foi registrado nos dias 26 e 27 de maio de 1986, no Anhembi, em São Paulo, e se tornou um dos maiores fenômenos comerciais do rock brasileiro, um marco que agora será revisitado com uma fidelidade surpreendente.

Quarenta anos depois, Paulo não pretende simplesmente tocar as faixas em sequência. Em entrevista à Billboard Brasil, ele conta que vai retomar elementos da montagem original, inclusive músicas que desapareceram de seus shows ao longo das décadas. “Eu vou fazer exclusivamente no sábado. A gente vai realmente reproduzir aquele show que o Ney dirigiu para esse festival. Tem canções que a gente nunca faz, que não foram sucessos radiofônicos, mas que compõem a Polaroid daquela época, com lados luminosos e lados escuros, influências da new wave e também mais góticas. Isso me dá flashbacks violentos, principalmente nessas músicas do lado B”, revela.

Essa decisão de recriar o show inteiro, e não apenas um greatest hits, é um statement poderoso. Significa uma resignificação do legado do RPM, que vai além do hits “Olhar 43” ou “Fico Maluco”. É um esforço de preservar a identidade completa da banda naquele momento de transição, um momento que, como Paulo lembra, era marcado por contrastes gritantes: a revolução tecnológica dos sintetizadores, a ira do punk e o surgimento da MTV, tudo em um cenário pós-ditadura, com a angústia da Guerra Fria e da Aids. Recriar esse show é, portanto, um ato de arqueologia musical.

Além do contexto histórico, essa recriação é também uma homenagem póstuma. Recriar “Rádio Pirata” significa voltar ao trabalho de Luiz Schiavon e P.A. Pagni, integrantes do RPM mortos em 2023 e 2019, respectivamente. Paulo diz que procura preservar arranjos e timbres da formação original justamente para manter essa identidade no palco. Para ele, a montagem dirigida por Ney Matogrosso foi o ponto em que o RPM encontrou a forma pela qual seria lembrado. Assim, o show não é apenas uma apresentação, mas um resgate vivo de uma energia e de uma química que se perdeu com o tempo.

O fato de o C6 no Rock ter escolhido essa homenagem, junto com discos de Plebe Rude, Titãs e Os Paralamas do Sucesso, reforça a tese de que 1986 foi um ano de consolamento e explosão do rock brasileiro. A geração que chegava às gravadoras combinava uma abertura política recém-instaurada com mudanças globais no pop. O festival, portanto, se configura como um museu a céu aberto, e a aposta de Paulo Ricardo de ir fundo no repertório é um dos seus pontos mais interessantes. É um convite para o público não apenas cantar os sucessos, mas also viajar para o lado B, para os lados escuros da Polaroid daquela época.

Para o cenário musical atual, onde a memória é frequentemente diluída por algoritmos de streaming, essa proposta é um lembrete importante. Mostra que a história de um disco – sua concepção, sua montagem, seus lados menos óbvios – pode e deve ser contada de forma completa. A apresentação de Paulo Ricardo no C6 no Rock, portanto, não é só um show, é uma declaração de intenções sobre como devemos tratar o nosso patrimônio sonoro. Será interessante ver se essa recriação 40 anos depois inspira outros artistas a resgatar a integralidade de seus trabalhos históricos, em vez de se limitarem a um repertório de greatest hits.


Mídia / Redes Sociais: