Sepultura revela detalhes da despedida dos palcos e setlist exclusivo no Rock in Rio

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Banda mineira prepara último show em São Paulo com convidados especiais, EP gravado em estúdio lendário e homenagem a 42 anos de história pesada.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Sepultura anuncia turnê de Despedida com último show em 7 de novembro na Arena Pacaembu, em São Paulo.
  • Rock in Rio terá setlist exclusivo da era Derrick Green, com bandas convidadas como Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon.
  • Banda lança EP ‘The Cloud of Unknowing’, gravado no Criteria Studios de Miami, com participação de Sérgio Britto e Tony Bellotto.

O fim está anunciado, mas o peso de 42 anos de história não cabe em nenhum palco — e o Sepultura vai jogar todo esse peso no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, no dia 7 de novembro. A banda mineira, maior nome do rock pesado brasileiro, oficializou sua turnê de despedida em dezembro de 2023 e agora revela os detalhes do que promete ser uma despedida à altura do legado: um setlist inédito, convidados de peso e um EP gravado em um estúdio que viu nascer clássicos do pop mundial.

42 anos, quatro bateristas e nenhuma tristeza

A trajetória do Sepultura é, antes de tudo, uma aula de resiliência. Surgidos em Belo Horizonte em 1984 pelas mãos dos irmãos Max e Iggor Cavalera, o quarteto atravessou trocas dolorosas — a saída de Max em 1996, a chegada de Derrick Green em 1998, a substituição sucessiva de bateristas que inclui Jean Dolabella, Eloy Casagrande e agora Greyson Nekrutman — e, mesmo assim, seguiu firme. “O Sepultura sempre mudou. O presente é feito com os ingredientes que você tem no momento”, resume Andreas Kisser, o único membro original que permanece ao lado de Paulo Xisto Jr.

Kisser, aliás, não para. Além do Sepultura, mantém o projeto De La Tierra, o festival PatFest em memória da ex-mulher Patricia Perissinotto Kisser, e estuda violão com o virtuoso Douglas Lora. “Quero me aprimorar no violão, estou estudando o estilo brasileiro”, revela em entrevista exclusiva. Paulo Jr., por sua vez, segue com o Cultura 3000 e planeja mais tempo em Belo Horizonte e em seu bar em Amsterdã. A despedida, garantem, não é motivo para melancolia: “Estamos fazendo exatamente aquilo que planejamos. São 42 anos de uma história única e fantástica”, completa o guitarrista.

O EP que nasceu na pandemia — e no mar

O novo material do Sepultura nasceu de uma forma inusitada: durante o cruzeiro 70.000 Tons of Metal, em 2025. Foi ali, a bordo de um navio que partiu de Miami e passou pela Jamaica, que a banda decidiu alugar o lendário Criteria Studios — mesmo estúdio que viu nascer o “Hotel California”, dos Eagles, e parte da trilha de “Os Embalos de Sábado à Noite”. “Entramos no estúdio com umas demos que eu tinha, coisas que escrevi na pandemia. Entramos sem saber o nome do disco, nome de faixa, quando ia sair. Não tinha capa, não tinha nada, tinha música. Pô, foi a melhor coisa que a gente fez”, orgulha-se Andreas.

O resultado é “The Cloud of Unknowing”, um EP de quatro faixas com co-autoria de Sérgio Britto e Tony Bellotto, dos Titãs, na balada “Beyond the Dream”. Derrick Green, vocalista desde 1998, assina as letras de “All Souls Rising”, inspirada no livro sobre a revolução do Haiti que recebeu enquanto trabalhava como segurança em Nova York. “Senti que havia uma união em torno do desejo de romper com os laços da escravidão e do colonialismo”, reflete Green. As letras do EP conversam entre si: finitude, imigração latina nos EUA e a busca por identidade coletiva.

Rock in Rio: só o que Derrick Green construiu

Uma das atrações mais aguardadas da despedida é a passagem pelo Rock in Rio, no dia 5 de setembro, ao lado de Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon. Pela primeira vez na história, o Sepultura fará um setlist inteiro baseado na era Derrick Green — um recorte deliberado que ignora os clássicos com Max Cavalera para celebrar o que o vocalista americano construiu nos últimos 26 anos. “É uma coisa que a gente nunca fez na nossa carreira: fazer só um setlist com as coisas desde que o Derrick entrou. E está sendo sensacional”, resume Andreas.

O Rock in Rio, aliás, já faz parte da própria história do Sepultura. A estreia da banda no festival foi em 1991, ao lado de Megadeth, Judas Priest e Guns N’ Roses — e ali eles tocaram “Orgasmatron” pela primeira vez. “O Sepultura sem o Rock in Rio não seria o Sepultura. Você pode estudar a vida inteira, mas se você não passar no palco do Rock in Rio, alguma coisa está faltando”, resume Kisser. A passagem pelo festival coincidiu com a internacionalização da banda: turnês pela Cortina de Ferro, shows com Metallica, Black Sabbath e a consagração global que viria com “Chaos A.D.” e “Roots”.

O que esperar do último capítulo

Os shows finais estão sendo gravados para um pacote de disco e vídeo, com libreto e compilação das performances mais impressionantes — Andreas compara ao projeto “Alive”, do Kiss. Os convidados especiais incluem Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich, além de ex-integrantes como Jairo Guedz e Jean Dolabella. Greyson Nekrutman, o baterista “novato” que entrou em abril de 2024, precisou se adaptar a três estilos diferentes de bateria em 28 músicas de todas as fases da banda — e trouxe improvisações de jazz que, segundo Andreas, transformam cada apresentação de “Choke” em uma experiência única.

O Sepultura pode estar dando adeus aos palcos, mas jamais será esquecido. São alguns milhões de discos vendidos, influência direta sobre Slipknot, Korn e Gojira, e um lugar ao lado de Carmen Miranda e Tom Jobim entre as maiores referências do Brasil no exterior. Como resume Derrick Green: “Estamos vivendo o nosso melhor momento, o que torna muito difícil parar. Mas estou muito animado para reunir tudo isso enquanto criamos este último álbum com a ajuda de tantos fãs que estiveram lá e criaram aquela energia”. O último urro será alto — e vai ecoar por décadas.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que na mais recente turnê europeia do Sepultura, a música que tocava nos alto-falantes após cada show era ‘Easy Lover’, produzida por… Phil Collins?


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— Douglas W.