Quarenta anos depois de “Bichos Escrotos” estourar no disco “Cabeça Dinossauro”, a música voltou a circular entre um público que, em alguns casos, nem sabia que ela era dos Titãs. A responsável pelo
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⏱️ Em 5 segundos:
- Tony Bellotto, dos Titãs, afirma que Anitta é rock devido à sua postura autônoma e sexualidade livre.
- A banda apresenta o disco ‘Cabeça Dinossauro’ integralmente no C6 no Rock, celebrando 40 anos do lançamento.
- A regravação de ‘Bichos Escrotos’ por Anitta para um filme da Amazon revive a música para novas gerações.
Quarenta anos após estourar no disco ‘Cabeça Dinossauro’, a música ‘Bichos Escrotos’ voltou a circular entre um público que, em alguns casos, nem sabia que era dos Titãs. A responsável pelo reencontro foi Anitta, que regravou a faixa com produção do Tropkillaz para o filme ‘Corrida dos Bichos’, do Prime Video. A versão ganhou força nas redes sociais, virou meme e provocou uma pequena colisão de gerações. Para Tony Bellotto, o remix faz sentido: “A Anitta é rock”, diz o guitarrista à Billboard Brasil.
O show dos Titãs no C6 no Rock, deste sábado (22), no Parque Ibirapuera, em São Paulo, é muito mais do que uma apresentação comemorativa. É um respiro histórico. A banda de Tony Bellotto, formada hoje por Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, vai tocando o álbum ‘Cabeça Dinossauro’ na íntegra e na ordem original, em um momento em que o Rock Brasileiro busca reencontrar seu espaço na grande mídia e nas playlists globais. E a declaração de Bellotto sobre Anitta não é uma simples opinião: é um reconhecimento da essência provocativa que, segundo ele, migrou do rock para outros gêneros.
Para o guitarrista, a postura autônoma, a sexualidade livre e a coragem de fazer o que quer tornam Anitta uma figura rock and roll, no sentido mais puro do termo. “A própria atitude da Anitta de gravar essa música corrobora a opinião que eu tenho de que a Anitta é bastante rock and roll. A postura dela como mulher, como mulher autônoma, livre, que faz o que quer. É a sexualidade livre que ela transmite. Então a Anitta é rock”, afirma. E é justamente essa ousadia que, em 1986, tornou ‘Cabeça Dinossauro’ um disco-grito contra o autoritarismo, a violência policial e as instituições da época.
De ‘Bichos Escrotos’ ao C6: a ponte entre gerações
O fato de jovens descobrirem ‘Bichos Escrotos’ pela versão de Anitta é, para os Titãs, uma razão para celebrar. “A gente vê com muito, muito bons olhos. E gente conhecendo o ‘Bichos Escrotos’ pela gravação dela é muito bom. A gente vê isso com excelentes olhos”, complementa Bellotto. O fenômeno demonstra que o rock clássico brasileiro não está morto; ele só aguarda uma nova porta de entrada, e a pop star carioca abriu essa fresta com coragem e inteligência comercial.
Bellotto também analisa o cenário atual e destaca que a provocação política e o desafio social que eram marca registrada do rock dos anos 80 e 90 encontraram novos veículos. “O funk e o rap têm hoje muito da provocação que o rock tinha nos anos 80, até nos anos 90 e início dos anos 2000. Depois o rock que aparece na grande mídia ficou um pouquinho domesticado, mais pop. E essa postura mais política, mais provocativa do rock, que está na raiz do rock, na essência do DNA do rock, hoje em dia é muito mais explicitada pelos rappers e funkeiros”. É um diagnóstico preciso: o rock brasileiro sobrevive nos festivais especializados e no underground, enquanto o funk carioca e o rap assumiram a vanguarda do discurso contestador nas periferias.
O show no C6: sangue, suor e lágrimas
O C6 no Rock, festival que homenageia discos icônicos do rock brasileiro dos anos 1980, é o paladar perfeito para os Titãs. “O C6, aliás, é um festival muito interessante. As bandas ali fazendo seus discos icônicos e homenageando também grandes personagens do rock brasileiro, como a Rita Lee e o Cazuza. Eu acho que é um festival muito legal, muito oportuno”. E sobre a expectativa para a apresentação, Bellotto é enfático: “O que o público pode esperar do show do Titãs é sempre sangue, suor e lágrimas. A gente dá tudo ali. Vamos fazer o disco ‘Cabeça de Dinossauro’ inteirinho na sequência em que foi gravado. Eu acho que isso é um acontecimento muito interessante. Então o público pode esperar muito rock and roll, muita, muita vibração, muita energia. Vai ser um showzaço”.
Em um Brasil que passa por novas tensões políticas e sociais, ‘Cabeça Dinossauro’ continua um alerta. “Mais do que um retrato, ele era um grito. Um grito de desaforo, de revolta guardada, que pode ser solta… Eu acho que 40 anos depois, ele continua um alerta. Agora, ele é um alerta para que a gente continue prestando atenção na importância da democracia, dos direitos individuais, lutando sempre contra as trevas ditatoriais, autoritárias. Ele continua um disco com um grito de liberdade”. O show, portanto, não é um mero nostalgia trip: é um ato de resistência cultural, uma afirmação de que o rock brasileiro ainda tem muito a dizer sobre o país.
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