Ludovic retorna após 20 anos com álbum autointitulado e ressignifica legado

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O terceiro disco de estúdio da banda paulista chega às plataformas em 31 de julho pela Balaclava Records e marca o reencontro criativo de um quarteto que ajudou a moldar o rock alternativo brasileiro nos anos 2000.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • A banda Ludovic encerra um hiato de 20 anos com o lançamento do terceiro álbum de estúdio, autointitulado, pela Balaclava Records.
  • O disco traz 11 faixas inéditas gravadas entre 2025 e 2026 no Estúdio El Rocha, com produção de Fernando Sanches e participação mais coletiva dos integrantes.
  • A banda se apresenta no SPIM Festival em 14 de agosto em São Paulo e retorna ao Balaclava Fest no fim de setembro para mostrar o novo repertório ao vivo.

A Ludovic retorna ao centro do palco com a força de quem sabe o que significa recomeçar. Depois de duas décadas de silêncio discográfico — o último álbum de inéditas, “Idioma Morto”, foi lançado em 2006 —, o quarteto paulista lançou nesta sexta-feira (31) seu terceiro álbum de estúdio, simplesmente intitulado “Ludovic”, pela Balaclava Records. Um gesto que, longe de ser mero nostalgia, carrega a urgência de uma banda que decide olhar para frente depois de um longo período de reconstrução.

Fundada no ano 2000 por Jair Naves, a Ludovic se tornou um dos pilares do rock alternativo brasileiro na primeira metade dos anos 2000. A banda se desfez em 2008, mas não desapareceu de vez: houve apresentações esporádicas entre 2016 e 2018 e, mais importante, um reencontro em 2024 durante as comemorações dos 20 anos de “Servil”, segundo álbum que os catapultou para o cenário nacional. Foi nesse reencontro que a semente de um novo material começou a germinar, até se transformar nas 11 faixas que compõem o disco agora lançado.

O processo criativo desta vez foi mais coletivo, diferente da dinâmica dos trabalhos anteriores, em que a escrita de Jair Naves dominava o repertório. Os guitarristas Eduardo Praça e Zeek Underwood contribuíram diretamente para a construção do álbum, trazendo referências acumuladas em seus projetos paralelos. O resultado é uma sonoridade que, sem abandonar a crueza punk e a confessionalidade que definiram a banda, incorpora sintetizadores, samples, gravações caseiras, harmonias vocais mais elaboradas e novos tratamentos de áudio — uma evolução que respeita o passado sem se prender a ele.

A escolha de batizar o disco apenas com o nome da banda não é acidental. Funciona como uma declaração de identidade e resiliência, um ato de afirmação de que a Ludovic continua relevante em um cenário musical que mudou drasticamente desde seus primeiros trabalhos. A capa, assinada por Júlia Aluar, reforça essa ideia com a imagem de uma chama solitária em meio à escuridão — uma metáfora visual precisa para um álbum que fala sobre resistência, transformação e a vontade de continuar criando mesmo depois de tanto tempo parado.

O que se ouve em “Ludovic” é uma banda que não tem medo de experimentar, mas que mantém a essência que a tornou importante. As letras existencialistas de Jair Naves continuam presentes, abordando reencontros, despedidas, luto, capitalismo e autoconhecimento com a mesma sinceridade crua de sempre. No entanto, os arranjos agora respiram de maneiras novas — os riffs ganham camadas de distorção mais refinadas, os sintetizadores criam atmosferas que os discos anteriores não ousavam explorar, e a produção de Fernando Sanches no Estúdio El Rocha confere um acabamento contemporâneo sem perder a visceralidade ao vivo que sempre foi marca registrada do grupo.

Com apresentações já confirmadas — a banda sobe ao palco do SPIM Festival em São Paulo no dia 14 de agosto, ao lado dos Jovens Ateus, e retorna ao Balaclava Fest no fim de setembro —, a Ludovic coloca em prática a principal aposta deste retorno: mostrar que o novo material ganha vida de verdade quando tocado ao vivo. O rock alternativo brasileiro tem um nome que nunca deveria ter sumido, e este álbum autointitulado é a prova de que algumas histórias ainda têm muito a dizer.

Curiosidade Vibermix

💡 Você sabia que a Ludovic foi fundada em 2000 por Jair Naves e que o álbum “Servil”, lançado em 2004, foi responsável por consolidar a banda como um dos nomes mais influentes do rock alternativo brasileiro da época, sendo considerado um marco do gênero no país?


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— Douglas W.