Sepultura se despede do Rock in Rio: Andreas Kisser revela legado e inclusão no metal

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A banda toca o Palco Mundo neste sábado (5) antes da turnê final “Celebrating Life Through Death”, que termina em novembro em São Paulo.

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⏱️ Em 5 segundos:

  • Sepultura toca o Palco Mundo do Rock in Rio pela última vez neste sábado (5), após 8 edições brasileiras e 35 anos de história no festival.
  • Andreas Kisser cita inclusão, representatividade feminina e a influência brasileira como pilares do legado da banda em 40 anos de carreira.
  • Show de Despedida está marcado para 7 de novembro na Mercado Livre Arena Pacaembu, encerrando a turnê “Celebrating Life Through Death”.

Palco Mundo como ponto final: Sepultura escreve último capítulo no Rock in Rio

Há exatos 35 anos, Andreas Kisser assistia ao Heavy Metal do outro lado do fosso, na arquibancada do Rock in Rio 1985. Ojo Ozzy Osbourne, Scorpions e AC/DC eram a inspiração de um garoto que ainda nem imaginava que, seis anos depois, estaria no palco do Maracanã com a banda que ajudou a construir. Neste sábado (5), porém, a história se inverte de vez: é despedida. O Sepultura sobe ao Palco Mundo não como estreante, nem mesmo como veterano — mas como símbolo de uma era que se fecha, e Kisser sabe disso.

A relação com o Rock in Rio é tão longa quanto a própria trajetória do grupo. Foram oito edições brasileiras — ou nove apresentações, se contarmos os dois shows de 2013. De 1991, quando a banda estreou no festival antes mesmo do lançamento de “Arise”, até 2026, o Sepultura experimentou todos os formatos que o evento oferece: dividiu palco com os Tambours du Bronx, cruzou o Sunset com Zé Ramalho, levou a Família Lima ao metal e, em 2022, subiu ao Mundo ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira. A internacionalização também passou por Lisboa e Las Vegas. Cada edição foi um capítulo, e o de agora é o último.

O Rock in Rio é só o penúltimo ato. A despedida completa acontece em 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. Antes, a banda ainda passa por Marrocos, Uruguai, Argentina, Chile e México — compromissos que provam que, mesmo no fim, o Sepultura mantém a malha global que construiu ao longo de quatro décadas e mais de 80 países visitados. A turnê “Celebrating Life Through Death”, anunciada inicialmente como celebração aos 40 anos, ganha agora um tom de encerramento planejado, raro numa cena que costuma terminar em ruptura ou silêncio.

Andreas Kisser e a reinvenção do metal brasileiro

Para Kisser, a transformação do heavy metal não se limita a guitarras mais rápidas ou produções mais polidas. Ele aponta para algo mais estrutural: a democratização da cena. “É uma cena mais democrática, inclusiva. Você vê a representatividade em todos os aspectos”, afirma, citando Nervosa, Crypta e Torture Squad como exemplos de uma nova geração que ocupa o protagonismo. Não é discurso vazio — vem de quem esteve quando o metal brasileiro era quase exclusivamente um clube de homens brancos, e viu essa realidade se dissolver.

A presença de Derrick Green na linhaça vocal é parte dessa narrativa. Quando o cantor negro assumiu o Sepultura, desafiou não só a imagem do metal tradicional, mas expectativas de mercado que ainda vinculavam a banda a um único vocalista e uma única identidade visual. Andreas reconhece isso: “O heavy metal quebra isso. É união. Está no mundo inteiro, independentemente de religião ou política.” A conclusão é reveladora: o legado do Sepultura não é apenas musical, é abrir espaço para que outros cheguem.

Percussão, raiz e o mapa do metal mundial

Se há uma marca inconfundível do Sepultura no cenário global, está na forma como incorporou a percussão brasileira — não como adereço exótico, mas como linguagem pesada, estrutural. Álbuns como “Chaos A.D.” e “Roots” não foram apenas discos; foram uma declaração de que o metal podia falar a língua do Brasil sem perder a agressividade. Andreas resume com propriedade: “A nossa contribuição foi fazer a nossa arte, colocar o Brasil no mapa de uma forma diferente.”

Essa ousadia influenciou uma geração de bandas que vieram depois e, em algum nível, pavimentou o caminho para a própria diversidade que Kisser celebra hoje. O paradoxo é bonito: ao manter a identidade, o Sepultura se tornou universal. E ao se despedir, reforça a mensagem que carrega há quatro décadas — “é abrir possibilidades. Não importa de onde você vem no mundo, tudo é possível se você faz com carinho, amor e dedicação”.

O que fica depois da última nota

O Sepultura não está terminando porque perdeu relevância. Está terminando porque chegou ao ponto em que a despedida planejada é o ato mais coerente: levar a música a dezenas de países, cruzar com o Rock in Rio em oito edições, ver a cena crescer e mudar ao redor. A turnê “Celebrating Life Through Death” é, na essência, um balanço — e a escolha do nome já diz tudo: celebração pela vida, através da morte (simbólica) da banda como unidade.

O que vem depois de novembro? Andreas não esconde a emoção, mas também não fala em saudade como derrota. Fala em possibilidades. O rock e o metal brasileiros têm agora um marco: a prova de que é possível construir uma carreira de 40 anos, manter a integridade e ainda olhar para o futuro sem medo. O último show no Pacaembu será o fim de uma história, mas a abertura de um precedente — para quem vem depois, para quem ousa, para quem coloca o Brasil no mapa sem pedir licença.


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— Douglas W.